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Plena satisfação em Deus


  Amado Leitor,

  Escrevo este livreto porque a verdade e a beleza de Jesus Cristo, o Filho de Deus, são fascinantes. Eu faço coro com o salmista:

Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo.
Salmos 27:4
  Se você é um guia turístico e sabe o que os turistas anseiam por desfrutar da beleza - que estão até dispostos a arriscar suas vidas para que vejam - e assim se vê de um pico de tirar o fôlego, então o seu dever é mostrá-lo a eles e insistir  que desfrutem da vista. Bem, a raça humana de fato anseia pela experiência da admiração.

  E não há realidade mais arrebatadora do que Jesus Cristo. Estar com Ele não significa estar livre de perigo, mas a sua beleza é extraordinária.

  Deus colocou a eternidade na mente do homem e encheu o coração humano de anelos. Mas nós não sabemos pelo que anelamos até que nós vejamos o quão formidável Deus é. Esta  é a causa da inquietação universal. Dai a famosa oração de Santo Agostinho: "Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousar em Ti".

  O mundo tem um anseio insaciável. Tentamos satisfazer este anseio por meio de férias com paisagens pitorescas, habilidades criativas, produções cinematográficas, aventuras sexuais, esportes espetaculares, drogas alucinógenas, devoções rigorosas, excelência administrativa, dente muitas outras coisas. Mas o anseio permanece. O que isto significa? C. S. Lewis responde:

Se encontro em mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é a de que fui criado para outro mundo.
A tragédia do mundo é que o eco é confundido com o grito que o iniciou. Quando estamos de costas para a beleza fascinante de Deus, fazemos sombra na terra e nos apaixonamos por ela própria. Mas isto não nos satisfaz verdadeiramente.

Os livros ou a música onde pensamos estar a beleza nos trairão se confirmamos neles... Pois eles não são a coisa em si; eles são somente o aroma de uma flor que não encontramos, o eco de um tom que ainda não ouvimos, notícias de um país que nunca visitamos. 
  Escrevi este livro porque a Beleza encantadora nos visitou. "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito" (João 1.14). Como, então, eu poderia deixar de clamar, Olhe! Creia! Seja satisfeito! Contemplar tal beleza pode custar a sua vida. Mas valerá a pena, pois sabemos, baseados na autoridade da Palavra de Deus, que "a tua graça é melhor que a vida" (Salmos 63.3). Delícias infinitas são um dever arriscado. Mas você não se arrependerá da busca. Eu a chamo de prazer cristão.

(Continua 1-11)


Trecho retirado do Livro "Plena satisfação em Deus".
Autor: John Piper.
Editora Fiel.
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POR QUE A CRENÇA NO INFERNO É FUNDAMENTAL?


   Hoje é o dia de comunicações rápidas. Amanhã é o dia dos negócios. A eternidade é o dia da verdade. Se você vive somente para este mundo, se importará pouco com a verdade. “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. Se isso é tudo que existe, podemos muito bem chamar de “verdade” as idéias que protegem nossos apetites. Mas, se você vive para a eternidade, rejeitará as modas populares e efêmeras, para se tornar eternamente relevante.
   Temos de valorizar a verdade acima do sucesso temporário. Onde a verdade é minimizada e as pessoas não estão nela arraigadas e fundamentadas, o sucesso é superficial, e a árvore cresce oca, embora floresça no sol da prosperidade. Que Deus nos dê um amor humilde e submisso pela verdade da Palavra de Deus, na profundeza e plenitude dela.
Ouçam a advertência de Paulo a respeito de nossos dias:
“Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos” (2 Tm 4.3). “[Eles] perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (2 Ts 2.10).
     Considere uma verdade que não é popular e tem sido abandonada por muitos que têm sobre a sua tenda a bandeira de “evangélico” — a verdade a respeito do inferno. Oh! que grande diferença existe quando uma pessoa crê no inferno — com tremor e lágrimas! Existe uma seriedade permeando toda a vida, uma urgência em todos os esfor- ços, um condimento de profunda seriedade que tempera tudo e faz com que o pecado sinta-se mais pecaminoso, e a santidade mais santa, a vida mais preciosa, os relacionamentos mais profundos e Deus muito mais importante.

   Entretanto, como em toda geração, existem novos abandonos da verdade. Clark Pinnock, um teólogo canadense que insiste em se chamar evangélico, escreveu:
A princípio fui levado a questionar a crença tradicional no tormento eterno e consciente, porque me era moralmente repugnante e por considerações teológicas mais amplas, e não por consideração de textos bíblicos. Não é lógico dizermos que um Deus de amor afligirá pessoas para sempre, por causa de pecados cometidos no contexto de uma vida finita... É tempo de os evangélicos se levantarem e afirmarem que o ensino bíblico moralmente apropriado sobre o inferno é a aniquilação, e não o tormento eterno.
   Dorothy Sayers, que faleceu em 1957, expressou um antídoto necessário para este tipo de abandono da verdade:
   Parece existir um tipo de conspiração, especialmente entre os escritores de meia idade que possuem uma tendência vagamente liberal, para esquecer ou anular de onde procede a doutrina sobre o inferno. Encontramos freqüentes referências à “cruel e abominável doutrina medieval do inferno” ou “a grotesca e ingênua imagem medieval de vermes e fogo”.
   O caso, porém, é exatamente o contrário. Encaremos os fatos. A doutrina do inferno não é “medieval”; é uma doutrina ensinada por Cristo. Não é um artifício do “clero medieval” para atemorizar o povo e fazê-lo dar dinheiro à igreja. O inferno é o julgamento deliberado de Cristo sobre o pecado. A imagem de vermes que não morrem e de fogo inextinguível deriva-se não da “superstição medieval”, e sim do profeta Isaías; e foi Cristo quem a usou enfaticamente... Ela nos confronta no mais antigo e menos “editado” dos evangelhos; está explícita em muitas das parábolas mais familiares e implícita em muitas outras. Esta figura tem, nos ensinos de Cristo, uma dimensão maior do que alguém possa perceber, até que comece a ler todos os evangelhos, em vez de selecionar e ler somente as passagens mais consoladoras. Ninguém pode se livrar desta doutrina, sem despedaçar o Novo Testamento. Não podemos repudiar o inferno, sem repudiarmos a Cristo.
   Eu acrescentaria: existem muitas outras coisas que, abandonadas, também equivalerão ao eventual repúdio de Cristo. Não é por causa de uma lealdade ultrapassada que amamos as verdades da Escritura — nem mesmo as mais severas. É por causa do amor a Cristo — e por causa do amor para com o seu povo —povo esse que somente o Cristo da verdade pode salvar.

Texto extraído do livro Penetrado pela palavra
Autor: John Piper
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PERSEVERE NA ORAÇÃO

UMA MEDITAÇÃO SOBRE COLOSSENSES 4.2-4

Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o manifeste, como devo fazer.
   Esta passagem nos dá cinco diretrizes para a oração, as quais precisamos ouvir.

Primeira: “Perseverai na oração”.

   Existe muito poder a ser desfrutado em perseverarmos na oração. Não esqueçam o amigo inoportuno de Lucas 11.8: “Digo-vos que, se não se levantar para dar-lhos por ser seu amigo, todavia, o fará por causa da importunação e lhe dará tudo o de que tiver necessidade”; e não esqueçam a parábola que Jesus contou “sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer”. A perseverança é o grande teste de genuinidade da vida cristã. Louvo a Deus pelos crentes que têm perseverado em oração durante sessenta, setenta ou oitenta anos! Oh! que sejamos um povo de oração e que este ano — e todos os nossos anos — seja saturado com orações ao Senhor de todo o poder e de todo o bem. Será bom dizermos no final da vida: “Completei a carreira, guardei a fé”, por meio da oração.

   Segunda: “Vigiai na oração”.

   Isto significa: “Esteja alerta!” Esteja mentalmente desperto. Talvez o apóstolo Paulo tenha aprendido isto do que aconteceu no Getsêmani. Jesus pediu aos discípulos que orassem, mas os encontrou dormindo. Ele disse a Pedro: “Não pudeste vigiar nem uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mc 14.37,38).

   Precisamos estar em vigilância enquanto oramos — em vigilância contra as vagueações de nossa mente, contra as vãs repetições, contra expressões vulgares e sem sentido, contra desejos restritos e egoístas. Também devemos vigiar por aquilo que é bom. Devemos estar especialmente alerta quanto à orientação de Deus, nas Escrituras, para as nossas súplicas. É Deus quem opera em nós a vontade de orar, mas sempre experimentamos esta capacitação divina como nossa própria atitude e resolução.

Terceira: Seja agradecido em todas as orações.

   São admiráveis os relatos do que Deus tem feito na vida de muitos crentes, por meio da oração. Tais relatos me têm estimulado a persistir em oração com ações de graças. Compartilhe com os outros estas boas coisas.

Quarta: Peça que se abra uma porta à pregação da Palavra, na sua vida.

1. Que, semana após semana, haja corações abertos e receptivos em sua igreja; 
2. Que seus vizinhos se mostrem receptivos ao evangelho, enquanto você o anuncia. “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (At 16.14). Isto é o que desejamos aconteça nos domingos e durante a semana.

Quinta: Ore pelos pregadores de nossa pátria, para que eles apresentem com clareza o mistério de Cristo.

   “Grande é o mistério da piedade” (1 Tm 3.16). Oh! que chamada para o proclamarmos! Eu amo o ministério de pregador! Embora, não esteja a altura dele. Eu e todos os pregadores, pastores, necessitamos de oração — para que entendamos o mistério de Cristo, escolhamos os textos necessários, preguemos no poder do Espírito Santo, falemos a verdade em amor. Sem Cristo, nada podemos fazer.

Texto extraído do livro Penetrado Pela Palavra.
Autor: John Piper
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CONHECENDO MAIS A DEUS, POR ESTAR ELE LEVANDO NOSSOS FARDOS

   
   Uma das razões por que não conhecemos profundamente a Deus é que não nos aventuramos muito em seu compromisso de carregar os nossos fardos. Conhecer a Deus com um senso de realidade pessoal autêntica não é uma simples questão de estudar. É uma questão de andar com Deus através do fogo e não ser queimado. É uma questão de não ser esmagado por um fardo, porque Ele o leva por você, ao seu lado. O que, então, Deus leva?

1- Deus tem levado os nossos pecados.
O meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si (Is 53.11).
Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos (Hb 9.28). 
Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados (1 Pe 2.24). 
   Crer nesta verdade e experimentar seu efeito libertador é crucial para a vida agora. Sentimentos de culpa não têm a palavra final! Crer nesta verdade também é crucial para a hora de nossa morte. O aguilhão da morte é o pecado, mas graças sejam dadas a Deus, porque esse aguilhão foi removido. É igualmente crucial para nosso gozo eterno. A obra de Cristo em carregar nossos pecados nos assegura uma compensação eterna para todas as supostas “perdas” nesta vida de amor sacrificial. Esta confiança é o fundamento de conhecermos a Deus.

2- Deus se compromete a levar nossas ansiedades.
Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós (1 Pe 5.7).
   A única outra passagem bíblica onde ocorre a palavra grega traduzida por “lançar”, neste versículo, é Lucas 19.35, onde lemos que os discípulos puseram suas vestes sobre o jumentinho, para que Jesus o montasse.

   Que tipo de ansiedade Deus almeja tirar de nossas costas e levar por nós? Todo o tipo de ansiedade. Por exemplo, ansiedades a respeito de necessidades (Fp 4.4-7), inutilidade (Is 55.11), fraqueza (2 Co 12.9), decisões (Sl 32.8), adversários (Rm 8.31), aflição (Sl 34.19; Rm 5.3-5), velhice (Is 46.4), morte (Rm 14.7-9) e incerteza de perseverança (Fp 1.6; Hb 7.25).

   Quando perguntaram a George Müller como podia se sentir calmo em um dia agitado, com tantas incertezas sobre o orfanato, ele respondeu algo assim: “Lancei sessenta coisas sobre o Senhor nesta manhã”. Quando Hudson Taylor foi informado de que missionários sob a sua responsabilidade estavam em perigo, logo ouviu-se Taylor sussurrando seu hino favorito — “Jesus, estou descansando, descansando no gozo do que Tu és!”


3- Deus se compromete a levar nossos cuidados.
Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado (Sl 55.22).
   A palavra hebraica traduzida por “cuidado”, neste versículo, pode ser traduzida por quinhão. Qual é o seu quinhão hoje? O que a providência de Deus lhe trouxe? Em última instância, isto procede do Senhor. Ele o levará por você. Este quinhão não tem o propósito de esmagá- lo ou arruiná-lo. Tem o propósito de provar sua confiança em Deus para carregá-lo por você. (Veja Salmos 16.5, 63.8.)

   Para Amy Carmichael, o “quinhão” era o estado de solteira. Houve várias oportunidades para ela deixar esse estado e assumir “a vida de casada”. Mas ela ouviu a voz interior: “Não, não, não”. Ela lançou esse quinhão sobre o Senhor, que o levou por ela, tornando-a frutífera e plena de alegria.

4- Deus se compromete a levar a causa da justiça por nós.
Ele [Jesus], quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente (1 Pe 2.23).
   Em quase todos os relacionamentos da vida, você será tratado com injustiça. “Jesus nunca nos chamou para uma luta justa” (George Otis Jr).

   Como você não se sentirá amargurado? Deixando que Deus leve a sua causa e acerte as contas quer na cruz, quer no inferno. Pedro disse que Jesus lidou com os atos errados praticados contra Ele entregando-se a Deus, que julga todas as coisas com justiça. Deus administrará a nossa causa. “A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19). Entregue-Lhe sua causa. Prepare-se para ser tratado com injustiça, quer seja alguém furando a fila à sua frente, quer seja alguém dando falso testemunho a seu respeito em um tribunal.
 
5- Deus se compromete a levar você — toda a sua vida.
Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno. Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei (Is 46.3-4). 
   A vida cristã é uma vida de ser levado, desde o começo até ao final. Nós trabalhamos, mas, na realidade, é Deus quem trabalha em nosso íntimo (1 Co 15.10).

Conclusão

   Venham a Ele, todos os que trabalham arduamente e estão sobrecarregados, e encontrem descanso para a alma. Aprofunde sua comunhão com Deus e conheça-O melhor, aventurando-se mais em seu compromisso de levar você e todas as suas inquietações.


Texto extraído do livro Penetrado pela Palavra
Autor: John Piper
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DESERTO, ADORAÇÃO, TRAIÇÃO, DEUS


UMA MEDITAÇÃO SOBRE O SALMO 63

SALMO DE DAVI, QUANDO NO DESERTO DE JUDÁ

1 Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água.
2 Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória.
3 Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam.
4 Assim, cumpre-me bendizer-te enquanto eu viver; em teu nome, levanto as mãos.
5 Como de banha e de gordura farta-se a minha alma; e, com júbilo nos lábios, a minha boca te louva,
6 no meu leito, quando de ti me recordo e em ti medito, durante a vigília da noite.
7 Porque tu me tens sido auxílio; à sombra das tuas asas, eu canto jubiloso.
8 A minha alma apega-se a ti; a tua destra me ampara.
9 Porém, os que me procuram a vida para a destruir, abismar-se-ão nas profundezas da terra.
10 Serão entregues ao poder da espada e virão a ser pasto dos chacais.
11 O rei, porém, se alegra em Deus; quem por ele jura gloriar-se-á, pois se tapará a boca dos que proferem mentira.


   O autor é Davi, quando era rei (vv. 1, 11). A situação é que alguém está procurando destruir a sua vida (v. 9). Isto corresponde ao tempo em que Absalão, o próprio filho de Davi, o coagiu a sair de Jerusalém (2 Sm 15.23). Coloque-se no lugar de Davi. Seu filho não é somente alienado, mas também hostil o suficiente para ter o desejo de ver seu pai morto. Eis um perigo mortal misturado com uma separação dolorosa de seu filho.

   Aprenda de Davi o que fazer nos momentos angustiantes e aterrorizantes. Ele orou. Todo o salmo é dirigido a Deus. Davi não pede proteção, nem vitória; pede somente uma coisa — Deus mesmo, para satisfazer sua alma, como as águas satisfazem a sede em uma terra árida e exausta. “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (v. 1). Há ocasiões de dor, perda, tristeza e escuridão, quando nada é digno de ser pedido, exceto Deus mesmo. Todas as outras coisas são triviais, inclusive a própria vida.

   Essa é razão por que Davi afirmou: “Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam” (v. 3). Davi poderia ser morto durante a noite, por algum traidor astuto que se vendera a Absalão. Como você dorme? Você relembra a si mesmo que o amor de Deus, na presença de Deus, é melhor do que ser vítima da morte, durante a noite. Porém, não sentimos com facilidade este descanso no constante amor de Deus. Dizemos as palavras, mas sentimos a realidade? Davi não o sentiu como desejava. Por isso, ele clamou: “Eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti”. Davi precisava desesperadamente que Deus respondesse ao seu clamor de vir e ajudá-lo a provar — não apenas saber, mas também sentir — que a graça dEle é melhor do que a vida.

   Oh! que conheçamos desta maneira a Deus! Isso não seria tudo para nós? Não seria mais do que riquezas, fama, sucesso e saúde — na realidade, mais do que tudo que o mundo pode oferecer? Deus mesmo se aproximando e fazendo nossa alma beber de sua graça, até que todas as coisas desapareçam de nossa visão e o temor seja tragado pela inabalável segurança de gozo eterno à direita de Deus! Oh! que cheguemos a este lugar em nosso andar com Deus! Quando a salvação da própria vida e o livramento de seu filho deixam de ser os ídolos de Davi, e somente Deus o envolve no firme gozo de seu amor inabalável, Davi cantará de alegria nas tristezas da noite e, talvez, se Deus o quiser, ganhará de volta o seu filho.

   De que maneira Deus veio a Davi e despertou o seu sabor espiritual, de modo que ele visse a Deus e ficasse satisfeito “como de banha e de gordura” (v. 5)? A resposta é que Davi lembrou-se dos dias de adoração na casa de Deus — “Eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória” (v. 2). Davi havia fugido de Jerusalém, o lugar de adoração corporativa do povo de Deus. E, em sua aflição, Davi recordou como era a adoração e o que ele contemplava na adoração.

   Eis um grande anelo que tenho em relação à adoração coletiva de nossas igrejas — que, ao nos reunirmos, cantarmos, orarmos e ouvirmos a Palavra de Deus, Ele mesmo se mostre tão presente, em “força e glória”, que, nos anos por vir, se você for impedido deste privilégio imensurável, a própria recordação de tê-Lo visto na adoração O tornará real novamente para você.

   Você orará comigo a Deus, rogando que Ele se encontre conosco desta maneira? Orará em favor de pastores e líderes, suplicando que Deus lhes dê canções, orações, silêncio, Escrituras e sermões que serão tão repletos da verdade e do Espírito de Deus, que todos eles provarão e verão que “a graça de Deus é melhor do que a vida” — e tudo o mais que a vida pode oferecer?

   E orará por si mesmo, suplicando que os sábados à noite e as manhãs de domingos se tornem ocasiões de preparação para o encontro com Deus — vestíbulos do lugar santo de adoração? Ore juntamente com Davi: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água”. Se esta oração estivesse em nossos lábios nos sábados à noite e nas manhãs dos domingos, Deus não abriria as fontes do céu e nos mostraria que sua “graça é melhor do que a vida”?
Texto extraído do livro Penetrado pela Palavra
Autor: John Piper 

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O QUE É HUMILDADE?



Em 1908, um escritor inglês G. K. CHESTERTON descreveu o embrião da cultura que hoje chamamos de pósmodernismo. Este já é um termo desgastado. Algum dia, os leitores o pesquisarão em um livro de História. Uma das características de seu “relativismo vulgar” (conforme o chama Michael Novak)1 é o erro grave de tomar a palavra arrogância para referir-se à convicção e humildade para referir-se à dúvida. Chesterton viu a chegada do pós-modernismo:
O que sofremos hoje é de humildade no lugar errado. A modéstia se afastou do setor da ambição e se estabeleceu na área das convicções, o que nunca deveria ter acontecido. Um homem devia mostrar-se duvidoso a respeito de si mesmo, mas não a respeito da verdade; isto foi invertido completamente. Hoje, aquilo no qual o homem confia é exatamente aquilo em que ele não deveria confiar — nele mesmo. Aquilo que ele duvida é exatamente o que ele não deveria duvidar — a razão divina... O cético moderno propõe ser tão humilde que duvida se pode aprender... Existe uma humildade característica de nossa época; acontece, porém, que ela é uma humildade mais venenosa do que as mais severas prostrações dos ascéticos... A velha humildade fazia que o homem duvidasse de seus esforços, e isto, por sua vez, o levaria a trabalhar com mais empenho. Mas a nova humildade torna o homem duvidoso a respeito de seus alvos; e isto o faz parar de trabalhar completamente... Estamos a caminho de produzir uma raça de homens tão mentalmente modestos que serão incapazes de acreditar na tabuada de multiplicação.

Vemos isso, por exemplo, no ressentimento para com os crentes que expressam a convicção de que os judeus (como as outras pessoas) precisam crer em Jesus, para serem salvos. A reação mais comum a esta convicção é que os crentes são arrogantes. A humildade contemporânea está firmemente arraigada no relativismo que evita conhecer a verdade e especificar o erro. Mas isto não é o que a humildade costumava significar.

Se a humildade não é aquiescência às exigências populares do relativismo, então, o que é humildade? Isto é importante, pois a Bíblia diz: “Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça” (1 Pe 5.5); e: “Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc 14.11). A humildade, portanto, é sobremodo importante. Deus nos diz pelo menos cinco coisas a respeito da humildade:
  1. A humildade começa com um senso de submissão a Deus, em Cristo. “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor” (Mt 10.24). “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus” (1 Pe 5.6).
  2. A humildade não sente que tem o direito de receber melhor tratamento do que o tratamento dado a Jesus. “Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?” (Mt 10.25.) Por conseguinte, a humildade não paga o mal com o mal. Não é uma vida baseada nos direitos percebidos. “Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos... quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pe 2.21-23).
  3. A humildade afirma a verdade não para apoiar o “eu” com o domínio e triunfos dos debates, mas como um serviço prestado a Cristo e expressão de amor para com o adversário. O amor “regozija-se com a verdade” (1 Co 13.6). “O que vos digo às escuras... Não temais” (Mt 10.27,28). “Não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” (2 Co 4.5).
  4. A humildade sabe que depende da graça de Deus para conhecer e crer. “Que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?” (1 Co 4.7.) “Acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma” (Tg 1.21).
  5. A humildade sabe que é falível; por isso, reflete sobre o criticismo e aprende dele. Mas também sabe que Deus fez provisão para a convicção humana e nos convoca a persuadir os outros.
Agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido (1 Co 13.12). 

O sábio dá ouvidos aos conselhos (Pv 12.15). 

Conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens (2 Co 5.11).

Texto retirado do livro Penetrado pela Palavra
Autor: John Piper
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ORAÇÕES EXTENSAS E AMPLAS, MAS NÃO-INSÍPIDAS



Este é um dos fatos admiráveis sobre as orações da Bíblia: quão grandes e abrangentes freqüentemente elas são. Mas não têm aquele tom vago de “Ó Deus, abençoa os missionários”, que parece tão fraco. Às vezes, tentamos remediar este erro, acrescentando: “Devemos fazer orações específicas em favor dos outros, apresentando suas necessidades específicas, e não orações generalizadas”. Isso é verdade. Devemos orar assim.

No entanto, existe outro motivo por que nossas grandes orações cotidianas parecem insípidas, enquanto as grandes orações na Bíblia não o eram. Freqüentemente, as nossas orações não contêm muito da pessoa de Deus e não expressam as grandes bênçãos espirituais que desejamos Deus realize em favor dos “missionários”, ou pelas “nações”, ou pelo “mundo”, ou pelos “perdidos”. As palavras “Deus abençoe” não pareceriam tão vagas e frágeis, se dissessem que tipo de bênção desejamos para eles. Existe um mundo de diferença entre “Senhor, ajuda os nossos missionários” e “Senhor, ajuda os nossos missionários a beberem abundantemente do rio de teus deleites”, ou “Senhor, ajuda os nossos missionários a se regozijarem nas tribulações e lembrarem-se de que as tribulações produzem perseverança, e a perseverança, esperança”.

Orações extensas e generalizadas tornam-se poderosas, quando são preenchidas com os objetivos bíblicos, concretos e radicais, em favor da pessoa por quem oramos. Em Mateus 6.9,10, “Santificado seja o teu nome... faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” é uma oração sublime, de amplo alcance. Ela roga por duas coisas concretas: que em todo o mundo o nome de Deus seja considerado precioso e que corações sejam transformados para fazerem a vontade de Deus, com o mesmo zelo e pureza que os anjos têm no céu.

Mencionar estes objetivos espirituais, com fervor, transforma nossas generalizações insípidas em generalizações dinâmicas. Portanto, não deixe de fazer orações extensas e de amplo alcance. Por exemplo, em Efésios 6.18, Paulo disse que devemos orar “em todo tempo no Espírito... com toda perseverança e súplica por todos os santos”. Pense nisso. Que inacreditável alcance e generalização. TODOS os santos! Você faz isso? Ora por todos os santos? Admito que não o tenho feito com bastante freqüência. Meu coração é muito pequeno. Mas estou tentando levá-lo a esta amplitude. A Bíblia o ordena.

Estas palavras de Paulo não parecem tão simples como: “Ó Deus, abençoa todos os santos”. Parecem robustas e de notável amplitude, como: “Ó Deus, olha para toda a tua igreja, em todos os lugares, e tem misericórdia; desperta-a e dá-lhe nova vida, esperança, pureza doutrinária e santidade, de modo que todos os santos permaneçam fortes e Te glorifiquem em dias de tentação e provação”.

Façamos grandes orações em favor dos bilhões de perdidos e dos milhões de pessoas que vivem na “Janela 10/40”. Paulo disse: “Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a Palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós” (2 Ts 3.1). Oh! que Deus faça esta obra em nossos dias! Encorajo todos os meus leitores a comprarem o livro Intercessão Mundial, escrito por Patrick Johnstone (um guia de oração em favor de todos os países do mundo). Depois, faça orações intensas e abrangentes em favor das pessoas e dos missionários desta vasta região chamada Janela 10/40.

A Janela 10/40 se estende do oeste da África até ao leste da Ásia, de 10º ao norte até 40º ao sul do Equador. Esta região contém três dos maiores blocos religiosos do mundo. A maioria das pessoas entenebrecidas na incredulidade pelo islamismo, hinduísmo e budismo vive na Janela 10/40. Este é o lar da maioria dos povos não-evangelizados.

Embora a Janela 10/40 constitua somente 1/3 da área total da terra, é o lar de aproximadamente 2/3 da população mundial, com aproximadamente 4 bilhões de pessoas. Dos 50 países menos evangelizados do mundo, 37 se encontram nesta Janela. E esses 37 países têm 95% da população total dos 50 países menos evangelizados.

Oitenta por cento das pessoas mais pobres do mundo, vive na Janela 10/40. Em média, eles vivem com uma renda inferior a 500 dólares anuais, por pessoa. Embora 2,4 bilhões dessas pessoas vivam na Janela 10/40, somente 8% de todos os missionários trabalham entre elas. Com certeza, este é um assunto digno de orações intensas, abrangentes e bíblicas!

Texto extraido do livro Penetrado pela Palavra
Autor: John Piper
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BEBENDO SUCO DE LARANJA PARA A GLÓRIA DE DEUS



Quando me perguntam: A doutrina da Depravação Total é bíblica?”, minha resposta é: “Sim”. Uma das coisas que pretendo dizer com esta resposta é que todas as nossas ações (sem a graça salvadora) são moralmente maculadas. Em outras palavras, tudo o que o incrédulo faz é pecaminoso e, portanto, inaceitável a Deus.

Uma de minhas razões para crer nisto encontra-se em 1 Coríntios 10.31: “Quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. É pecado desobedecermos este mandamento das Escrituras? Sim.

Por isso, chego a esta triste conclusão: é pecado alguém comer, ou beber, ou fazer qualquer outra coisa, se não for para a glória de Deus. Em outras palavras, o pecado não é apenas uma lista de coisas prejudiciais (matar, roubar, etc.). Pecamos quando deixamos Deus fora de consideração nas realizações triviais de nossa vida. Pecado é qualquer coisa que fazemos, que não seja feito para a glória de Deus.

Mas, o que os incrédulos fazem para a glória de Deus? Nada. Conseqüentemente, tudo o que eles fazem é pecaminoso. É isso que pretendo dizer, quando afirmo que, sem a graça salvadora, tudo que fazemos é moralmente ruim.

Evidentemente, isto suscita uma questão prática: como podemos “comer e beber” para a glória de Deus? Tal como, por exemplo, beber suco de laranja no café da manhã? Uma das respostas encontra-se em 1 Timóteo 4.3-5:
...[alguns] proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusá- vel, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado.


Suco de laranja foi criado para ser “recebido com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade”. Portanto, os incrédulos não podem usar suco de laranja para cumprir o propósito que Deus tencionou — ou seja, uma ocasião para ações de graça sinceras, dirigidas a Ele, provenientes de um coração de fé.

Mas os crentes podem, e esta é a maneira como glorificam a Deus. O suco de laranja que eles bebem é santificado “pela palavra de Deus e pela oração” (1 Tm 4.5). A oração é a nossa humilde resposta de agradecimento do coração. Crer nesta verdade, apresentada na Palavra de Deus, e oferecer ações de graça, em oração, é uma das maneiras de bebermos suco de laranja para a glória de Deus.

A outra maneira é bebermos com amor. Por exemplo, não insista na porção maior. Isto é ensinado no contexto de 1 Co 10.33: “Assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos”. “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Co 11.1). Tudo o que fazemos — inclusive beber suco de laranja — pode ser feito com a intenção e a esperança de que será proveitoso para muitos, a fim de que sejam salvos.

Louvemos a Deus porque, pela sua graça, fomos libertos da ruína completa de nossos atos. E façamos tudo, quer comamos, quer bebamos, para a glória de nosso grande Deus!

Texto extraido do livro Penetrado Pela Palavra
Autor: John Piper
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Teologia fraca produz mulheres fracas - John Piper


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Não seja mera sombra e eco



   NÃO SOMOS DEUS. POR CONSEGUINTE, COMPARADOS com a Realidade absoluta e final, somos pequeníssimos. Nossa existência é secundária e depende da absoluta Realidade de Deus. Ele é o único Ser auto-existente no universo. Somos derivados. Ele sempre existiu e não teve princípio. Portanto, ninguém Lhe deu forma. Nós, pelo contrário, recebemos forma. Ele simplesmente é. Nós, porém, fomos criados. “EU SOU O QUE SOU” é o nome dEle (Êx 3.14).

   No entanto, visto que Ele nos fez com o mais sublime propósito para uma criatura — desfrutar e manifestar a glória do Criador — podemos ter uma vida bastante substancial, que dura para sempre. Esta é a razão por que fomos criados (“Tudo foi criado por meio dele e para ele” — Cl 1.16). Esta é a razão por que nossa sexualidade foi redimida (“Fugi da impureza... Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” — 1 Co 6.18, 20). Esta é a razão por que comemos e bebemos (“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” — 1 Co 10.31). Esta é a razão por que oramos (“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” — Jo 14.13). Esta é a razão por que fazemos boas obras (“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus — Mt 5.16).

   Esta é a razão por que existimos — manifestar a glória de Deus. A vida humana é completamente centralizada em Deus. Este é o significado de sermos humanos. Nossa natureza foi criada para engrandecer a Deus. A nossa glória consiste em dar glória a Deus. Quando cumprimos esta razão de sermos, temos substância. Existe valor e significado em nossa existência. Conhecer, desfrutar e manifestar a glória de Deus é um compartilhamento da glória de Deus. Não nos tornamos Deus. Mas um pouco da grandeza e beleza de Deus está sobre nós, quando cumprimos este propósito de nossa existência — refletir a excelência de Deus. Esta é a nossa substância.

   Não cumprir este propósito para a existência humana corresponde a ser uma mera sombra da substância que Deus tencionava possuiríamos quando nos criou. Não manifestar a glória de Deus por desfrutarmos dEle mesmo, acima de qualquer outra coisa, é ser apenas um eco da música que Deus tencionou que faríamos quando nos criou.

   Esta é uma grande tragédia. Os seres humanos não foram criados para serem apenas sombras e ecos. Fomos criados para termos as características de nosso Deus, para fazermos música divina e causarmos um impacto divino. Isto é o que significa ser criado à imagem de Deus (Gn 1.27). Mas, quando os homens abandonam o seu Criador e amam mais as outras coisas, eles se tornam semelhantes às coisas que amam — insignificantes, fúteis, sem valor, inconseqüentes e depreciadores de Deus.

   Veja como o salmista apresentou este fato: “Os ídolos das nações são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; pois não há alento de vida em sua boca. Como eles se tornam os que os fazem e todos os que neles confiam” (Sl 135.15-18; veja também Sl 115.4-8).

   Pense e trema. Você se torna semelhante às coisas feitas pelos homens e nas quais você confia: mudo, cego, surdo. Isto é uma sombra da existência. É um mero eco do que Deus tencionou você deveria ser. É uma mímica vazia no palco da História, com muito movimento e pouco significado.

   Querido leitor, não seja sombra e eco. Livre-se do espírito de centralidade no homem, uma epidemia de nossa época. Olhe com determinação, para ver, conhecer e desfrutar a vida na luz do Senhor. “Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do SENHOR” (Is 2.5). Na luz do Senhor, você O verá, bem como a todas as coisas como realmente são. Você despertará da sonolência de uma existência na terra das sombras. Você anelará por substância e a encontrará. Fará de sua vida uma música divina. A morte será apenas uma viagem rumo ao Paraíso. E o que você deixar para trás não serão sombras e ecos, e sim um tributo na terra, escrito no céu, à triunfante graça de Deus.
Texto extraído do livro Penetrado pela Palavra
Autor: John Piper 
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PENETRADO PELA PALAVRA DE DEUS



UMA MEDITAÇÃO SOBRE HEBREUS 4.12


Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz ,
e mais cortante do que qualquer
espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de
dividir alma e espírito, juntas e medulas,
e é apta para discernir os pensamentos
e propósitos do coração.

   OH! COMO PRECISAMOS CONHECER A NÓS MESMOS! Somos salvos? Estamos vivos em Cristo? Existe somente um instrumento que cria, detecta e confirma a vida eterna na alma do homem — ou seja, a Palavra de Deus. Portanto, o que Hebreus 4.12 afirma a respeito da Palavra é importantíssimo.

“A Palavra de Deus”

   A expressão “Palavra de Deus” pode significar uma palavra falada por Deus sem um porta-voz humano. Mas, no Novo Testamento, esta expressão normalmente significa uma palavra ou mensagem que um homem fala como representante de Deus. Por exemplo, Hebreus 13.7 diz: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram”. Portanto, a expressão, “Palavra de Deus”, em Hebreus 4.12, provavelmente se refere à verdade de Deus revelada nas Escrituras e que homens falaram uns para os outros na dependência da ajuda de Deus para entendê-la e aplicá-la.

“Viva e eficaz”

   A Palavra de Deus não é morta ou ineficaz. Ela tem vida. E, devido a isso, ela produz resultados. Existe algo sobre a Verdade revelada por Deus, que a conecta com Deus como a fonte de toda a vida e poder. Deus ama a sua Palavra. Ele tem predileção por sua Palavra. Ele a honra com sua presença e poder. Se queremos que nosso ensino e testemunho produza efeitos, devemos permanecer fiéis a Palavra revelada de Deus.

“Mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas.”

   O que faz esta Palavra viva e eficaz? Ela penetra. Com que propósito? Para dividir. O quê? Alma e espírito. O que isto significa?
O escritor sagrado nos dá uma analogia. É semelhante a dividir juntas e medulas. As juntas são a parte mais grossa, dura e exterior do osso. As medulas são a parte mais mole, macia, viva e interior do osso. Isso é uma analogia de “alma e espírito”. A Palavra de Deus é como uma espada bastante afiada, capaz de cortar diretamente da parte exterior, dura e grossa do osso até à sua parte interior, macia e viva. Algumas espadas, menos afiadas, podem atingir um osso, resvalar e não penetrar. Outras espadas penetram somente até ao meio das juntas grossas e duras de um osso. Mas uma espada pontuda, bem afiada, de dois gumes (afiados em cada lado da ponta), penetrará a junta até alcançar a medula. “Alma e espírito” são como juntas e medulas de ossos. “Alma” é aquela dimensão invisível da vida que somos por natureza. “Espírito” é aquilo que somos pelo novo nascimento sobrenatural. Jesus disse: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Sem o poder vivificador, criador, regenerador do Espírito de Deus em nós, somos apenas um “homem natural”, e não um “homem espiritual” (1 Co 2.14-15). Por conseguinte, o “espírito” é aquela dimensão invisível de nossa vida que somos por meio da obra regeneradora do Espírito Santo.
   Qual é o principal ensino da afirmativa de que a “Palavra de Deus” penetra até ao ponto de “dividir alma e espírito”? O principal ensino desta afirmativa é que a Palavra de Deus revela o nosso verdadeiro “eu”. Somos espirituais ou naturais? Somos nascidos de Deus e estamos espiritualmente vivos? Ou enganamos a nós mesmos e ainda estamos espiritualmente mortos? “Os pensamentos e propósitos” de nosso coração são espirituais ou apenas naturais? Somente a “Palavra de Deus” pode “discernir os pensamentos e propósitos do coração”, como afirma Hebreus 4.12.
   Falando em termos práticos, quando lemos ou ouvimos a Palavra de Deus, sentimos que ela penetra em nós mesmos. O efeito deste penetrar é revelar se há espírito ou não. Existe medula e vida em nossos ossos? Ou somos apenas um esqueleto sem medula viva? Existe “espírito” ou somente “alma”? A Palavra de Deus penetra fundo o suficiente, para mostrar-nos a verdade de nossos pensamentos e motivos, e o nosso próprio “eu”.
   Renda-se a esta Palavra de Deus, a Bíblia. Use-a para conhecer a si mesmo e confirmar sua própria vida espiritual. Se existe vida, haverá amor, gozo e um coração obediente à Palavra. Dedique-se a esta Palavra, de modo que suas palavras se tornem a Palavra de Deus para outros e revelem a condição espiritual em que eles estão. Então, sobre a ferida causada pela Palavra, derrame o bálsamo da Palavra.

Texto retirado do livro: Penetrado pela Palavra
Autor: John Piper 
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DEUS É O EVANGELHO


   Você já se perguntou por que o amor de Deus é valioso? Ou, se a vida eterna é valiosa? Já se perguntou por que alguém quer ter a vida eterna? Por que desejamos viver para sempre? Estas questões são importantes por ser possível desejarmos perdão e vida eterna por motivos que comprovam que não os temos. Por exemplo, considere o assunto do perdão. Talvez você queira o perdão de Deus por que está muito infeliz com sentimentos de culpa. Você quer alívio. Se puder crer que Deus o perdoa, você terá algum alívio, mas não necessariamente a salvação. Se quer o perdão somente por causa de alívio emocional, você não receberá o perdão de Deus. Ele não dá o seu perdão àqueles que o usam apenas para ter os dons dEle e não a Ele mesmo.
   Ou, talvez, você queira ser curado de uma enfermidade _ dois _ DEUS É O EVANGELHO ou conseguir um emprego e encontrar uma esposa. Então, você ouve que Deus pode ajudá-lo a obter estas coisas, mas que, primeiramente, seus pecados teriam de ser perdoados. Alguém o exorta a crer que Cristo morreu por seus pecados e lhe diz que, se você crer nisto, seus pecados serão perdoados. Conseqüentemente, você crê, a fim de que seja removido o obstáculo à sua saúde e consiga um emprego ou uma esposa. Isto é salvação pelo evangelho? Não creio que seja.
   Em outras palavras, o que você espera receber por meio do perdão é importante. O motivo por que você deseja o perdão é importante. Se quer o perdão tão-somente por que deseja gozar da criação, então, o Criador não é honrado e você não é salvo. O perdão é precioso por uma única razão: ele o capacita a desfrutar da comunhão com Deus. Se esta não é razão por que você quer o perdão, você não o terá de maneira alguma. Deus não será usado como moeda para a compra de ídolos.
   Também perguntamos: por que desejamos ter a vida eterna? Alguém pode responder: “Porque o inferno é a alternativa dolorosa”. Outro pode dizer: “Porque não haverá nenhuma tristeza no céu”. Outro pode replicar: “Meus queridos foram para o céu, e quero estar com eles”. Outros poderiam sonhar com sexo e alimentos intermináveis, ou com algo mais nobre. Em tudo isso, Alguém está ausente: Deus.
   O motivo salvífico para querermos a vida eterna é apresentado em João 17.3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. Se queremos a vida eterna por ela significar outra coisa, e não o regozijo em Deus, não teremos essa vida. Enganamos a nós mesmos dizendo que somos cristãos, se usamos o glorioso evangelho de Cristo para buscar o que amamos mais do que buscamos o próprio Cristo. As “boas-novas” não se comprovarão como boas para qualquer pessoa que não tenha a Deus como seu principal bem.
   Jonathan Edwards apresentou esta verdade em um sermão à sua igreja, em 1731. Leia estas palavras lentamente e permita que elas o despertem para a verdadeira vida e o verdadeiro bem do perdão.

 Os redimidos têm todo o seu verdadeiro bem em Deus. Ele mesmo é o grande bem que possuem e desfrutam por meio da redenção. Deus é o bem mais sublime, a suma de todo o bem que Cristo adquiriu. Deus é a herança dos santos; é o quinhão da alma deles. Ele é a riqueza e o tesouro, o alimento, a vida, a habitação, o ornamento e a coroa, a glória eterna e duradoura dos santos. Eles não têm nada no céu, exceto a Deus. Ele é o grande bem no qual os crentes são recebidos na morte e para o qual eles devem ressurgir no fim do mundo. O Senhor Deus, Ele é a luz da Jerusalém celestial; é o “rio da água da vida” que corre e a “árvore da vida” que cresce “no paraíso de Deus”. As gloriosas excelências e belezas de Deus fascinarão para sempre a mente dos santos, e o amor de Deus será o deleite eterno deles. Com certeza, os redimidos desfrutarão outras alegrias. Eles se alegrarão com os anjos e uns com os outros. Mas aquilo que lhes encantará nos anjos e uns nos outros, ou em qualquer outra coisa; aquilo que lhes proporcionará deleite e felicidade será o que de Deus poderá ser visto neles.

Texto retirado do Livro: Penetrado pela Palavra
Autor: John Piper
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QUÃO SINGULAR E MARAVILHOSO É O AMOR DE CRISTO!


   Por muitos anos, tenho procurado entender como a centralidade de Deus em Si mesmo se relaciona com o seu amor por pecadores como eu. Muitas pessoas não vêem a paixão de Deus por sua própria glória como um ato de amor. Uma das razões para isto é o fato de que temos absorvido a definição do mundo a respeito do amor. O mundo diz: você é amado quando é mimado.

   O maior problema desta definição de amor é que, ao tentarmos aplicá-la ao amor de Deus por nós, ela distorce a realidade. O amor de Deus por nós não se revela principalmente em que Ele nos valoriza, e sim em que Ele nos dá a capacidade de nos regozijarmos em apreciá-Lo para sempre. Se centralizamos e focalizamos o amor de Deus em nosso valor, estamos nos afastando do que é mais precioso, ou seja, Ele mesmo. O amor labuta e sofre para nos cativar com aquilo que é infinita e eternamente satisfatório: Deus mesmo. Por conseguinte, o amor de Deus labuta e sofre para aniquilar nossa escravidão ao ídolo do “eu” e focalizar nossas afeições no tesouro de Deus.


Podemos ver isto, de maneira surpreendente, na história da enfermidade e morte de Lázaro, em João 11.1-6:1

Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta. 2 Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo o Senhor e lhe enxugou os pés com os seus cabelos. 3 Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas. 4 Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado. 5 Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. 6 Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava.

Observe três coisas admiráveis:




1. Jesus escolheu deixar Lázaro morrer. No versículo 6, lemos: “Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava”. Não houve pressa. A intenção de Jesus não era impedir o sofrimento da família, e sim ressuscitar Lázaro dentre os mortos. Isto seria verdade mesmo se Lázaro já estivesse morto, quando o mensageiro chegou a Jesus. Ele deixou Lázaro morrer ou permaneceu por mais tempo, para deixar evidente que não tinha pressa de trazer alívio imediato ao sofrimento. Algo mais importante O impelia.




2. Jesus era motivado pelo amor para com a glória de Deus, manifestada em seu tremendo poder. No versículo 4, Ele disse: “Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado”.




3. Entretanto, tanto a decisão de deixar Lázaro morrer como a motivação de glorificar a Deus foram expressões de amor para com Maria, Marta e Lázaro. O evangelista João nos mostra isto pela maneira como ele uniu os versículos 5 e 6: “Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava”.



    Oh! Muitas pessoas — inclusive crentes — murmurariam por haver Jesus, insensivelmente, deixado Lázaro morrer e permitir que Marta, Maria e Lázaro e outros passassem por aquele sofrimento e infelicidade! E, se os nossos contemporâneos percebessem que Jesus fez isso motivado pelo desejo de magnificar a glória de Deus, quantos não considerariam a atitude de Jesus como insensível e severa? Isto revela quanto a maioria das pessoas estima levar uma vida livre de sofrimentos muito mais do que estima a glória de Deus. Para a maioria das pessoas, o amor é aquilo que coloca o bem-estar humano como o centro de tudo. Por conseguinte, o comportamento de Jesus é ilógico para tais pessoas.

   Não podemos ensinar a Jesus o que o amor significa. Não podemos instruí-Lo a respeito de como Ele nos deve amar e colocar-nos no centro de tudo. Devemos aprender dEle o que significa o amor e o que é o verdadeiro bem estar. O amor é fazer tudo que for necessário para ajudar os outros a verem e experimentarem a glória de Deus em Cristo, para todo o sempre. O amor mantém a Deus no centro, porque a alma foi criada para Deus.

   Nas palavras de sua oração, Jesus confirma que estamos certos: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17.24). Podemos presumir que esta oração seja um ato de amor de Jesus. Mas, o que Ele pediu? Pediu que, no fim, vejamos a sua glória. O amor dEle por nós O torna central. Jesus é o único Ser cuja auto-exaltação é um ato sublime de amor. Isto é verdade porque a realidade mais satisfatória que podemos conhecer é Jesus. Portanto, para nos dar esta realidade, Ele tem de dar-nos a Si mesmo. O amor de Jesus O impeliu a orar e a morrer por nós, não para que o nosso valor se tornasse central, e sim para que a glória dEle se tornasse central e pudéssemos vê-la e desfrutá- la por toda a eternidade. “Pai, a minha vontade é que... estejam também comigo... para que vejam a minha glória”. Isto é o que significa para Jesus o amar-nos. O amor divino labuta e sofre para nos cativar com aquilo que é infinita e eternamente satisfatório: Deus em Cristo. Oh! Que vejamos a glória de Cristo — pela qual Ele deixou Lázaro morrer e pela qual Ele foi à cruz.

Texto extraído do livro: Penetrado pela palavra.
Autor: John Piper 
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Não Faça a Vontade de Deus Como Um Ateu



Depois da minha mensagem ao corpo discente da University Liberty semana passada, um estudante atento me perguntou essa questão esclarecedora: “Então você não acredita que atos altruístas são possíveis ou desejáveis?”.

Eu pedi para ele definir altruísmo de modo que eu pudesse responder o que ele realmente estava perguntando. Ele disse: “Fazer uma boa obra a outros sem vislumbrar uma recompensa”. Eu respondi: “Está certo, sendo ou não possível, eu não acredito que é desejável, porque não é o que a Bíblia nos ensina a fazer; e não é o que pessoas sentem como sendo um amor genuíno. Porque isto não é amor genuíno.”

Quando Deus é Glorificado


Eu tinha dito na mensagem de convocação: “Fazer o certo pela causa da retidão é ateísmo. Crentes deveriam fazer o que é certo pela causa de Deus; porque a Bíblia nos ensina a fazer tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31). Mas Deus não é glorificado se nós O deixamos fora da questão e dizemos que fazer a obra certa é sua própria justificação. Nada justifica a si mesmo se Deus é deixado de lado.

Crentes deveriam fazer o que Deus diz que é certo porque, ao fazer isso, nós apreciamos mais a Deus. Jesus estava nos motivando a ser generosos aos outros quando Ele disse: “Mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos 20:35). Estou simplesmente dizendo que essa benção motivadora prometida não é principalmente mais dinheiro, mas mais de Deus. Deus gosta mais de revelar mais de si mesmo ao generoso do que ao mesquinho (João 14:23).

Esse motivo glorifica a Deus. Deus é glorificado quando Ele é desejado como um tesouro. Se nós queremos uma comunhão mais profunda com Ele porque Ele nos faz mais felizes do que qualquer pessoa, nós O glorificamos. Então, estar motivado a fazer o certo pelo desejo de mais de Deus, glorifica a Deus.

Como Jesus Motiva


Jesus disse que quando nós somos difamados enquanto crentes, devemos nos regozijar (Mateus 5:12) e amar os nossos inimigos (Mateus 5:44) “porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mateus 5:12), e “para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste” (Mateus 5:45). A motivação a qual ele apela é que o caminho do amor sacrificial leva a um aumento de alegria no nosso relacionamento com Deus enquanto Pai.

Jesus nos motiva a “convida(r) os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos” para nosso banquete” pelo fato de não terem eles com que recompensar [a nós]”. E adiciona: “a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.” (Lucas 14:13-14). Em outras palavras: seja generoso; faça sacrifícios nesse mundo; porque grande é a sua recompensa no céu.

A recompensa, é claro, inclui tudo na herança de Deus. Você será um “herdeiro do mundo” (Romanos 4:13). “Porque tudo é vosso” (1 Coríntios 3:21). Os mansos “herdarão a terra” (Mateus 5:5). Sim, a recompensa inclui coisas terrenas. Mas naquele dia não haverá o perigo da idolatria. A terra, os céus e todas as coisas declararão a glória de Deus, e a essência da nossa alegria nelas será a alegria Nele. O que faz nossa recompensa verdadeiramente excelente é a plenitude maravilhosa da nossa comunhão com Deus. “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente.” (Salmos 16:11).

Essa “plenitude” e esse “perpetuamente” estão por trás da motivação dos crentes da igreja primitiva quando eles faziam o certo e sofriam. Eles visitavam amigos crentes na prisão porque eles viam a recompensa. “Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como também aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmos patrimônio superior e durável.” (Hebreus 10:34). Eles se regozijavam na prisão porque sua recompensa era grande no céu. É disto que eles ganhavam coragem para arriscar suas vidas: “tem grande galardão.” (Hebreus 10:35).

Então, eu respondo novamente: “Fazer uma boa obra a outros sem vislumbrar uma recompensa” é antibíblico e ateísta. Isto desonra a Deus. Ele oferece mais alegria na sua comunhão àqueles que fazem o certo “pela Sua Causa” do que “pela causa da retidão”. Se não abraçarmos a oferta da Sua Recompensa, nós O desprezamos. Mas se abraçarmos a oferta, mostramos que Ele É O Nosso Tesouro supremamente desejado — acima de todas as recompensas de fazer o que é errado.

Nossa Alegria em Amar Os Outros


Finalmente, eu disse como resposta à ótima pergunta do estudante: “Não apenas tentar fazer o bem pela causa da retidão desonra a Deus, mas também não mostra amor aos outros. Pessoas não experimentam isto como amor.” Mas por que elas experimentariam o nosso bem como amor se estivéssemos buscando a nossa grande alegria em Deus? Elas não estariam sendo apenas usadas?

Não. Porque parte da alegria maior que buscamos em Deus, fazendo o bem a elas, é a inclusão delas na nossa alegria. Nossa alegria em Deus seria expandida pela alegria deles em Deus. Nós não os estamos usando para a nossa maior alegria. Nós os estamos trazendo para a grande alegria e desejando que eles sejam parte disso.

Mas fazer o certo pela causa da retidão não tem esse efeito. Suponha que eu vá visitar Ethel no hospital, uma senhora idosa que teve um ataque cardíaco. Eu estendo a minha mão no seu braço frágil, ela abre os olhos e diz: “Oh pastor, você não precisava vir”. Suponha que eu responda: “Eu sei, mas era meu dever vir. Isso era a coisa certa a fazer por si mesma. Portanto, eu vim.” Esta resposta não faz Ethel se sentir amada.

Mas suponha que eu diga: “Eu sei, mas sempre me faz mais feliz em Deus, Ethel, trazer um pouco de encorajamento para você e lembrá-la das promessas do Senhor.” Ethel nunca diria: “Você é tão egoísta. Tudo o que você pensa é o que faz você ficar feliz.” Ela não sentiria isso, embora eu tenha dito: “Sempre me faz mais feliz…”. E a razão pela qual ela não o sentiria é porque minha busca de mais alegria em Deus ao fazer o bem a ela, e querer que ela faça parte disso, é o que amor genuíno é.

Que Deus nos proteja da noção ateísta de fazer o bem pela causa da retidão. E que ele nos transforme nesse tipo de adoradores esquisitos e maravilhosos que negam a si mesmos os “prazeres transitórios do pecado” e “preferem ser maltratados junto com o povo de Deus”, porque nós “contemplamos o galardão” (Hebreus 11:25-26).


Por: John Piper; Copyright © Desiring God; Original: Não Faça a Vontade de Deus Como Um Ateu.
Via: Jovensfieis.com
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5 dias de devocionais com John Piper - 5 dia

   

   Seja bem vindo ao último dia deste devocional de cinco dias sobre a glória de Deus. Vamos, então, resumir sobre o que falamos e, após, finalizar com algo realmente grandioso. Nós fomos criados para a glória de Deus e devemos viver para Sua glória, ou seja, fazer com que percebam como Ele realmente é glorioso. Segundo dia, todos nós falhamos em fazer isso. Nós amamos mais a glória das outras coisas, especialmente a nossa própria, mais do que amamos a glória de Deus. Isso é chamado de pecado. Estamos em apuros. Terceiro dia, Deus não nos abandonou em nossos problemas. Ele enviou o Seu Filho ao mundo e o objetivo disso era vindicar a Sua glória ao salvar pessoas que pisotearam a sua glória. É sobre isso que foi a cruz. Quarto dia, conectamo-nos a isso somente pela fé em Jesus Cristo. E fé, segundo Romanos 4:20, é o que glorifica a Deus, pois mostra que Ele é confiável. O que nos traz ao quinto dia e a consumação de todas as coisas.

   Deus terá êxito no propósito para o qual Ele criou o mundo. Habacuque 2:14: “a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar”. Toda injustiça, tudo o que menospreza a Deus, que ignora a Deus, que desdenha a glória de Deus será lançado para fora, na escuridão eterna, e somente restarão aqueles que magnificam a glória de Deus.

   Mas, há mais. Romanos 8 fala sobre a criação em si. Romanos 8:18 diz: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para [agora vem: receber ou herdar] a liberdade da glória dos filhos de Deus.” Toda a criação, todo o Universo, todos os planetas, todas as estrelas receberão a liberdade da glória dos filhos – somos nós.  A criação é secundária. Os seres humanos criados à imagem de Deus são primários. Nós seremos glorificados e conformados perfeitamente a Jesus e, então, a criação, em um clímax, será adequada para ser um lugar para nós – um novo céu e uma nova terra glorificados para os filhos, que, agora, são gloriosos.

   De acordo com Jesus, em Mateus 13:43, você resplandecerá como o sol no reino de seu Pai. C. S. Lewis disse que se não estivéssemos santificados, seríamos tentados a nos prostrar e adorar uns aos outros no céu. Mas, conheceremos o nosso Deus melhor naqueles dias.

   Então, aqui estão minhas palavras de encerramento. Se você está tentando viver para a glória de Deus e poucas pessoas estão empolgadas com aquilo para o qual você vive, você tem uma esperança de que um dia essa sua vida será vindicada e você será tragado em um novo céu e uma nova terra que lhe proporcionarão alegria e vindicação eternas. Então, não desanime de confiar em Jesus e de a cada dia ser conformado com a gloriosa vida de amor dele.

Por John Piper © 2012 Desiring God Foundation. Usado com permissão. Website em português: www.satisfacaoemdeus.org. Original: The Consummation of All Things.

Tradução: Vinícius Musselman Pimentel – Editora Fiel © Todos os direitos reservados
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5 dias de devocionais com John Piper - 4 dia


   E agora, estamos no quarto dia: como vivemos em vista dessa salvação? Você confia nele. Você confia nele. Somos justificados pela fé, independentemente das obras da lei. Colocamos a nossa fé em Jesus. Tiramos os nossos olhos de todas as nossas falhas de viver para a Sua glória e dizemos “Jesus, Tu és a minha única esperança” e confiamos nele.

   Então, analisamos o exemplo de Abraão em Romanos 4.20, o qual diz que ele “não duvidou, por incredulidade… mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus” e aprendemos que confiar em Jesus glorifica a Deus. Quando você tem que se agarrar a alguém como sua única esperança, você mostra que ela é forte e você, fraco, ela é rica e você, pobre. Certo? Então, queremos que Deus seja exibido como grandioso e queremos viver para Sua glória e, agora, sabemos que confiar em Suas promessas é como Abraão glorificou a Deus.

   E mais uma coisa. Quando você pergunta: o que significa confiar nele? O que está no cerne e na essência da confiança? E aqui está uma parte crucial dela: confiar em Deus é vê-Lo como glorioso e estar satisfeito nele. Então, vamos para 2 Coríntios 3:18: “e todos nós, com o rosto desvendado, contemplando… a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória”. Logo, é assim que sua vida começa a mudar. Isso é chamado de santificação.

   Sendo assim, confiamos em Jesus, isso é, vemos, nos apegamos e valorizamos a Sua glória e, pouco a pouco, nos tornamos semelhante àquilo que valorizamos, semelhante àquilo que adoramos. Ver a glória de Jesus na cruz, o salvando, ver a glória de Deus em e através da obra da salvação começa a transformá-lo em um tipo de pessoa que ama a glória de Deus mais do que tudo. E isso, portanto, o levará a cortar as raízes do pecado e o manterá em um caminho de amor e santidade.

   Então, terminaremos amanhã com a consumação de todas as coisas para a glória de Deus. Porém, hoje, medite na glória do Senhor. Agarre-se a ela e a valorize para que você se conforme cada vez mais à imagem dele.

Por John Piper © 2012 Desiring God Foundation. Usado com permissão. Website em português: www.satisfacaoemdeus.org. Original: How the Rescued Life Looks.
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5 dias de devocionais com John Piper - 3 dia


   Bem vindo de volta ao nosso devocional de cinco dias sobre a glória de Deus. No primeiro dia nós vimos que Deus nos criou para Sua glória, e, portanto, deveríamos viver para Sua glória. No segundo dia, nós vimos que, de acordo com Rm 3:23 e 1:23, todos nós falhamos em fazer isto, cada um de nós, sem exceção. E hoje, nós passamos ao ato de Deus de nos salvar da confusão em que nos metemos por causa de nosso caso de amor com a glória dos homens em vez da glória de Deus.

   E 1 Timóteo 1:15 é uma afirmação fiel de que Jesus Cristo veio ao mundo para salvar pecadores, para salvar pessoas que desprezaram Sua glória. E fazemos a conexão desta maneira: 2 Coríntios 4:4 diz que o deus deste século, que é Satanás, cegou o entendimento dos incrédulos para impedir que eles vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Então ali o evangelho é chamado de “o evangelho da glória de Cristo”!

   Então o que acontece é que Deus, ao enviar Cristo para morrer em nosso lugar, não apenas nos resgata da falha de viver para Sua glória, mas naquele mesmo momento Ele está mostrando o ápice de Sua glória. A coisa mais gloriosa que Deus já fez ou jamais irá fazer, é nos amar enviando Seu Filho para vindicar Sua glória, e nos resgatar de nossa falha de viver para Sua glória.

   Deixe-me lhe dar mais um texto que nos entrega a beleza e glória dessa salvação. “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus” e aqui vai: “enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa, e condenou, na carne, o pecado.” Agora, de quem foi o pecado que Ele condenou? Jesus não tinha nenhum. Foi o meu! Deus condenou o meu pecado na carne. Carne de quem? Não na minha! Olhe, eu estou sentado na sua frente, não estou no inferno! De quem foi a carne? Foi a carne de Jesus. Esta passagem de Romanos 8:3 é a mais clara passagem sobre Deus castigando seu próprio Filho por amor a mim, para que meus pecados recebessem o devido castigo, Sua glória fosse vindicada, e eu andasse em alegria perpétua.

   Então contemple hoje a liberdade que Deus lhe oferece através do perdão e através da justificação, e da substituição de Seu Filho por você. Para que todas as suas falhas em viver para a glória de Deus possam ser, e são, através da fé, perdoadas.

Por John Piper © 2012 Desiring God Foundation. Usado com permissão. Website em português: www.satisfacaoemdeus.org. Original: Jesus Came into the World.

Tradução: cedido gentilmente por Alan Cristie, revisado por Vinícius Musselman Pimentel – Editora Fiel © Todos os direitos reservados
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5 dias de devocionais com John Piper - 2 dia

  
   Seja bem vindo de volta à nossa série de cinco devocionais sobre a glória de Deus. Ontem, falamos sobre Deus ter nos criado para Sua glória e, portanto, nosso dever de vivermos para Sua glória. Hoje, mudamos para a má notícia, que está em Romanos 3:23: “Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”. Então, Paulo estabelece a conexão entre o pecado e a glória de Deus, e ele usa essa palavra “destituídos”, que significa literalmente que todos pecaram e carecem da glória de Deus, não têm a glória de Deus, e quero questionar em que sentido nós, pecadores, não temos a glória de Deus. Não penso que se trata essencialmente do fato de que não sou tão glorioso quanto deveria, algo como “eu não sou um deus, sou apenas um ser humano comum”; antes, está ligado a Romanos 1:23, que diz: “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal”, como a que vemos refletida no espelho – é assim que imagino.

   Então, penso que Romanos 3:23 é explicado por 1:23, e que a explicação fundamental é que apesar de sermos feitos para amar a glória de Deus, estar satisfeitos com a glória de Deus, refletir a glória de Deus, nós olhamos para esta glória e dissemos: “acho que gosto mais da minha imagem no espelho do que de Deus, então vou dedicar todo meu tempo ao meu aperfeiçoamento, vivendo para mim mesmo.” Esta é a essência do pecado.

   Então, compreender a glória de Deus como o objetivo da criação nos revela a seriedade do nosso pecado. De fato, se você prosseguir na leitura de Romanos, até o capítulo 6: “Pois o salário do pecado é a morte”, e esta morte é eterna. Então, vou deixá-lo com a má notícia hoje. Eu sei que isso não é legal, não gostamos de ir ao trabalho e cuidar de nossos negócios durante o dia convivendo com más notícias, mas acho que você pode perceber a solução para isso, porque Deus virá amanhã; mas por ora, vamos ponderar a respeito das várias formas pelas quais fizemos essa troca. Nós contemplamos a glória de Deus – se vivemos de acordo com esta glória e se amamos esta glória – e, então, olhamos para outras coisas e dissemos: “não, acho que prefiro outras coisas à glória de Deus”. Essa é a essência do pecado, e esse é o motivo pelo qual nós e o mundo estamos tão encrencados como estamos.

Por John Piper © 2012 Desiring God Foundation. Usado com permissão. Website em português: www.satisfacaoemdeus.org. Original: Our Failure to Live Up

Tradução: cedido gentilmente por Desiring God, revisado por Vinícius Musselman Pimentel – Editora Fiel © Todos os direitos reservados
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5 dias de devocionais com John Piper - 1 dia


   Bem vindo ao nosso devocional de cinco dias sobre a glória de Deus. Deixe-me falar o que faremos nestes cinco dias e, depois, começaremos o primeiro devocional. Falaremos sobre o porquê Deus nos criou. Em segundo lugar, amanhã, falaremos sobre a nossa falha de viver de acordo com o porquê Ele nos criou. Terceiro, vamos falar sobre Cristo vindo ao mundo revelar a glória de Deus para nos salvar de nossa falha em glorificar a Deus. Quarto, como se parece uma vida que glorifica a Deus uma vez resgatada por Ele. E quinto, qual é a consumação de todas as coisas para a glória de Deus. Então, todos os pontos têm a ver com a glória de Deus.

   Então, aqui está o primeiro para você considerar hoje. Deus nos criou para Sua glória. Isto está em Isaías 43:6-7: “Trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra, a todos os… que criei para minha glória.” O que não significa que Ele criou para aumentar Sua glória, mas para revelar e oferecer Sua glória para nós como um presente para nossa alegria. O que significa que, se você for a 1 Coríntios 10:31, um texto que meus que meus pais sempre compartilhavam comigo quando eu era criança, “Johnny, quer você coma, beba ou faça qualquer outra coisa, faça tudo para a glória de Deus.”

Então, agora, temos o Seu propósito: Deus nos cria para Sua glória, ou seja, para magnificar, revelar e exibir a sua grandeza, e, então, Ele nos diz para vivermos dessa forma, vivermos de modo que a grandeza de Deus seja exibida. Então, temos o desígnio de Deus ao nos criar para Sua glória, e nosso dever fluindo disso.

   Então, a pergunta chave que podemos deixar para este primeiro dia talvez seja: Como eu posso ir trabalhar hoje, como posso limpar minha casa, como posso educar os meus filhos hoje para glória de Deus? Como posso comer pizza ou beber suco de laranja para a glória de Deus? A resposta certamente seria que ao confiarmos em Deus mostramos que Ele é confiável e em cada área de nossa vida estaremos confiando nele hoje. Somos apenas criancinhas, e Ele é Todo-Suficiente, e quando confiamos nele mostramos que Ele é grande. E Ele o fez para alegrar-se em Sua glória, e eu tento deixar isso claro em tudo o que digo, que Deus é mais glorificado em você, quando você está mais satisfeito nele. Então, eu penso que o seu maior desafio hoje é estar o mais satisfeito em Deus.

   Então, este é meu desafio e minha oração por você: que Deus lhe conceda hoje a visão de que você foi feito para Sua glória, de que seu dever mais profundo e fundamental é viver de uma forma que O revele como glorioso, e que a forma principal de fazer isso é lutar por maior satisfação na glória dele, para que isso subjugue as outras satisfações pecaminosas.


Por John Piper © 2012 Desiring God Foundation. Usado com permissão. Website em português: www.satisfacaoemdeus.org. Original: Why God Created Us

Tradução: cedido gentilmente por Alan Cristie, revisado por Vinícius Musselman Pimentel – Editora Fiel © Todos os direitos reservados
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