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Existe mesmo o demônio devorador? Por Leonardo Dâmaso
O devorador, segundo os pastores neopentecostais e pentecostais afirmam, e também muitos cristãos influenciados e ensinados por estes pastores, é um tipo de "demônio" que devora as finanças e causa os mais variados tipos de prejuízos em diversas áreas da vida do cristão que não dizima ou é infiel nos dízimos e ofertas. Este tipo de demônio, dizem eles, nem a oração têm o poder de repreendê-lo, porém, somente o dízimo pode neutralizar o seu poder contra os cristãos. Os que creem no “demônio devorador” utilizam como base para a existência destes um texto muito conhecido de todos, a saber, Malaquias 3.10-12 em paralelo com Joel 2.25-27. Senão vejamos:
Malaquias 3.10-12 – "Trazei todos os dízimos ao tesouro do templo, para que haja mantimento “na minha casa” [“no templo” ênfase minha], e provai-me nisto, diz o Senhor dos exércitos, e vede se não vos abrirei as janelas do céu e não derramarei sobre vós tantas bênçãos, que não conseguireis guardá-las. Por vossa causa também repreenderei “a praga devoradora” [ou o devorador ARA], e ela [ou o devorador ARA] não destruirá os frutos da vossa terra, nem as vossas videiras no campo perderão o seu fruto, diz o Senhor dos exércitos. E todas as nações vos chamarão bem aventuradas; pois a vossa terra será aprazível, diz o Senhor dos exércitos." (Almeida Século 21)
Joel 2.25-27 – "Assim vos restituirei os anos consumidos pelo “gafanhoto” migrador, pelo assolador, pelo destruidor e pelo cortador, meu grande exército que enviei contra vós. Comereis à vontade e vos fartareis, e louvareis o nome do Senhor vosso Deus, que agiu em favor de vós de maneira maravilhosa; e o meu povo nunca será envergonhado. Vós sabereis que eu estou no meio de Israel e que eu sou o Senhor vosso Deus, e não há outro; e o meu povo nunca mais será envergonhado." (Almeida Século 21)
Antes, porém, de analisarmos exegeticamente estes dois textos em pauta e chegarmos celeremente à conclusão, é essencial e de suma importância para obtermos uma logre compreensão do tema entendermos, ainda que em um breve resumo, o contexto do livro de Malaquias e Joel.
O profeta Malaquias surgiu no cenário de Israel num tempo em que imperava a tepidez espiritual. Israel estava desmotivado e em profundo desânimo. E por que? Acerca disso, Augustus Nicodemus Lopes, escreve:
"Fazia cerca de 100 anos que os judeus tinham regressado do cativeiro. Deus havia mandado o povo de Israel para o exílio, por volta de 600 ou 500 a.C, em razão reiterada idolatria e falta de arrependimento. (...) Parte do povo foi para o Egito, outra se dispersou e muitos outros morreram. Durante 70 anos, o povo permaneceu cativo na Babilônia.
Tempos depois Deus trouxe de volta [o povo] à terra prometida. Esse período está registrado nos livros de Esdras e Neemias, dois homens levantados por Deus para liderar o retorno da nação à terra prometida. Porém, nem todos regressaram; parte do povo ficou na Babilônia; outra permaneceu no Egito. Mas um grande contingente voltou para a terra de Israel...
Quando regressaram, os judeus pensavam ter chegado o tempo do cumprimento das grandes promessas que os profetas de Israel haviam feito. Isaías, Ezequiel e Jeremias profetizaram um tempo maravilhoso para o povo de Deus após a restauração, e o povo acreditava que aquele seria o tempo em que essas promessas se cumpririam.Sendo assim, a dedicação e o amor para com Deus havia se esvaído do coração do povo (1.1-5). Os sacerdotes estavam corrompidos (1.6 – 2.9). O povo havia se casado com mulheres estrangeiras que cultuavam deuses pagãos (2.10-15; Ed 9 – 10; Ne 13.23-27). Estavam cometendo injustiças sociais (3.5; Ne 5.1-13). E, finalmente, vemos a infidelidade do povo para com Deus retendo os dízimos e as ofertas (3.6-12; Ne 13.10-14). Augustus Nicodemus Lopes ainda diz que os cultos a Deus viraram mero formalismo, rituais mecânicos e sem vida. O coração do povo não estava mais neles. Cada um dava prioridade a seus assuntos pessoais, em vez de se dedicar a terminar a reconstrução do templo e prestar culto a Deus.[2]
Só que cem anos se passaram desde a volta do cativeiro, e as coisas não estavam acontecendo conforme a expectativa. Promessas tinha sido feitas, mas a realidade não estava de acordo com elas. (...) Por meio dos profetas o Senhor prometera uma grande restauração de seu povo na terra, mas somente parte dele retornou da Babilônia. Os profetas haviam mencionado um período de paz, mas eles ainda estavam cercados por inimigos".[1]
Não obstante, Joel, por sua vez, um dos mais antigos profetas do Antigo Testamento, aparece em meio a um período de seca prolongada em Judá durante o reinado do rei Joás, provavelmente por volta do ano 835-796 a.C,. Todavia, uma grande invasão de gafanhotos destruiu quase toda a plantação que havia na Terra Prometida, afetando toda a terra, resultando, assim, numa grave crise econômica (1.7-20), o que afetou o Reino do Sul deixando-o muito enfraquecido economicamente. Entretanto, esse desastre natural enviado por Deus e executado pelos gafanhotos, serviu para Joel de ilustração a despeito do cerne de sua mensagem, ou seja, o castigo de Deus em virtude dos pecados dos sacerdotes e do povo (2.1-17). Contudo, é bem possível que, assim como o povo de Israel na época de Malaquias, a causa do castigo de Deus ao povo de Judá foi também devido à tepidez espiritual. O profeta Joel convoca este povo que havia deixado de amar a Deus acima de tudo para um sincero arrependimento descrito em (2.13).
Portanto, entendido um pouco do contexto da mensagem de Malaquias e Joel, resta-nos saber, então, o que é o devorador, se é uma espécie de “demônio” que atua causando prejuízos na vida daquele que não dizima e se existe mesmo este “demônio”. O “devorador” (ARA, ARC), ou a “praga devoradora” (Almeida Século 21), ou ainda as “pragas” (NVI), é simplesmente a descrição de um inseto chamado gafanhoto! Existem alguns tipos de gafanhotos nos quais o profeta Joel descreve. Senão vejamos:
1) O Cortador (gazam) é um tipo de gafanhoto que se instala ou habita na plantação. Ele destrói uma parte dos frutos apenas. Sendo assim, o agricultor na época da colheita sofre certo prejuízo financeiro perdendo uma parte dela que fica imprópria para o consumo alimentar.
2) O Migrador (arbeh), diferente do cortador que habita nas plantações, é um tipo de gafanhoto que voa em bando por diferentes lugares e que aparece de repente na plantação destruindo mais a colheita aumentando mais o prejuízo do agricultor.
3) O Devorador ou Infestante (jelek), por sua vez, é o tipo mais devastador de gafanhoto que, assim como o migrador, voa também em bando que chega a cobrir o céu dando o aspecto de tempo fechado. Esta nuvem, contudo, é composta de muitos gafanhotos que, quando pousa sobre uma plantação, infesta e a destrói quase que por completo em cerca de meia hora, apenas, levando o agricultor a ter mais prejuízos, pois não se dá para aproveitar muita da colheita.
4) O Destruidor (chasel), por fim, é o tipo de gafanhoto que possui o maior poder de destruição. Quando uma plantação sofre o ataque destes insetos, ela é completamente destruída levando o agricultor praticamente ou quase à falência.
O ataque de gafanhotos literais que Judá sofreu na época do profeta Joel foi o castigo de Deus! Conforme vimos anteriormente, esta nação havia pecado gravemente contra o Senhor, e o castigo que resultou numa assoladora crise econômica de toda a nação era o meio de Deus levar o povo ao arrependimento de seus pecados e a se voltar para ele. Este mesmo entendimento se aplica também no caso de Malaquias, onde o povo de Israel que sobrevivia da agricultura, pois era a profissão de praticamente todos eles, também sofreu financeiramente com a praga de gafanhotos devoradores. Portanto, a ideia de que existe um demônio chamado devorador é uma falácia criada no laboratório das heresias! Infelizmente, um pregador do quilate de Hernandes Dias Lopes disse no seu comentário bíblico expositivo de Malaquias, numa aplicação equivocada, que o devorador não é um demônio conforme alegam os neopentencostais e pentecostais, mas afirmou, cometendo, assim, um erro de aplicação que o devorador pode ser tudo aquilo que subtrai os nossos bens, que conspira contra o nosso orçamento e que mina as nossas finanças.[3]
Embora não vemos nenhuma menção que o devorador seja um demônio nos evangelhos por Jesus e nas cartas por Paulo, Pedro, João, Tiago, Judas e Hebreus, todavia, o pastor ou pregador equivocado que ensina sobre o devorador, além de ser ganancioso e um tipo de estelionatário religioso, também engana o povo de Deus ensinando eles a contribuírem financeiramente na igreja por medo do devorador e por ganância (o que é pecado) de receber de Deus bênçãos financeiras duplicadas ou outras bênçãos quaisquer (1Tm 6.6-11; Mt 6.19-21). O devorador não é um demônio que causa prejuízos financeiros na vida daquele que é infiel nos dízimos e nas ofertas, mas, simplesmente, um inseto [gafanhotos] de acordo com as Escrituras que Deus utilizou para executar o seu juízo disciplinador sobre o seu povo que estava vivendo em pecado. Deus, indubitavelmente, utiliza meios para nos disciplinar e nos levar ao arrependimento ainda hoje quando não estamos vivendo a vida que ele requer de nós, quer seja uma doença, uma crise financeira ou no casamento, a morte de um ente querido dentre outras coisas. A disciplina é simplesmente o cuidado e o amor de Deus para com os seus filhos (veja Hb 12.4-14). Portanto, não existe o devorador, mas, sim, o falso pastor enganador que é o próprio devorador financeiro dos incautos!
Mateus 7.15 - "Cuidado com os falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em pele de ovelha, mas interiormente são lobos DEVORADORES!" (Almeida Século 21)
Como Identificar uma Seita
Há no meio protestante nacional o debate sobre o limite em que podemos dizer que uma igreja ou uma denominação deixou de ser cristã e se tornou uma seita.
Podemos caracterizar seita como um grupo de pessoas cujos ensinos repousam sobre a autoridade isolada de um líder espiritual, cujas palavras e escritos são vistos de igual valor ou superior à Bíblia Sagrada e sempre negam as doutrinas centrais do cristianismo histórico.
Mas então, quais pontos caracterizam uma seita?
De modo geral se o ensino praticado e repassado em uma denominação aos seus adeptos não está em harmonia com pontos centrais das Sagradas Escrituras (A Trindade; A Criação do Homem e do mundo; O pecado e seu papel na queda do homem; a própria Bíblia; Cristo em sua pessoa e obra; a salvação e o porvir), podemos julgá-la como sendo uma seita.
Vamos enumerar alguns pontos para exemplificar:
1-Possuem outras fontes doutrinárias além das Escrituras. Outras revelações. A bíblia não é sua única regra de fé
2-Aceitam apenas algumas partes bíblia, subtraem ou modificam algum trecho bíblico. Dizem que receberam uma nova revelação de Deus anulando ou mudando mandamentos e/ou preceitos existentes na Palavra de Deus.
3-Distorcem as doutrinas fundamentais, desprezando os princípios auxiliares de Hermenêutica.
4-Não aceitam que Cristo seja o Filho Unigênito de Deus. Ou não aceitam Sua natureza divina-humana.
5-Existe outra possibilidade de salvação além da realizada por Cristo, pois cabe ao homem realiza-la.
6-Pregam a auto-salvação. Crer em Jesus é importante, mas não é tudo. A salvação é pelas obras.
7-Dividem a fidelidade entre Deus e a organização. Desobedecer à organização ou à igreja equivale a desobedecer a Deus. Não existe salvação fora do seu sistema religioso.
Existem outros pontos, mas este citados são os mais importantes. Nota-se também que essas seitas tem características bem parecidas e particulares, podemos ressaltar algumas:
Existem outros pontos, mas este citados são os mais importantes. Nota-se também que essas seitas tem características bem parecidas e particulares, podemos ressaltar algumas:
-Fazem o possível para ocupar todo o tempo livre dos seus membros. Abarrota-lhes de reuniões, serviços, estudos e outras atividades que fazem com que a vida diária do adepto gire em torno da seita.
-Adotam uma interpretação particular da Bíblia como única norma de vida. Costumam Memorizar “versículos-chave” para tanto. Não se preocupam muito com o contexto das citações e nem com a verdade histórica de suas afirmações.
-Tem uma mentalidade de natureza fundamentalista. “Fervor Religioso”.
-Proporcionam um ambiente de “poucos fiéis do povo escolhido”. Segundo tal, o mundo os persegue porque somente eles têm permanecido fiéis ao que Deus quer.
-O líder ou fundador da seita é normalmente elevado ao nível de “profeta”, de “ungido de Deus”
Bom, meu caro leitor, caso esteja em alguma denominação que tenha essas características, recomendo que, analise-a bem para ver se realmente ela se enquadra nestes pontos, ore, peça direcionamento a Deus e, com a ajuda dEle, procure uma igreja sã que pregue o evangelho de Cristo.
Soli Deo Gloria
Autor: Hugo Coutinho
Fonte: Reformai.com
10 acusações contra a igreja moderna- 1º Acusação
Uma negação da suficiência da Escritura
“E que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”2 Timóteo 3.15-17
O primeiro erro que afeta muitas igrejas em nossos dias: uma negação prática da suficiência da Escritura. Vejo isso especialmente em minha denominação. Durante as últimas décadas, tem havido uma grande batalha relacionada à inspiração da Escritura. É claro que algunsde vocês não têm sido parte dessa batalha. Todavia, muitos dos que estão em denominações mais liberais têm visto, muito certamente, essa batalha em defesa da Bíblia.
No entanto, há um problema. Quando vocês chegam a crer, como um povo, que a Bíblia é inspirada, ganham somente metade da batalha, porque a questão não é somente “a Bíblia é inspirada?”, ou seja, ela é inerrante? A maior questão que a acompanha isso, e tem de ser respondida, é esta: a Bíblia é suficiente outemos de introduzir toda suposta ciência social e estudo cultural para sabermos como conduzir uma igreja? Essa é a questão principal! Em minha opinião, as ciências sociais têm tomado a precedência sobre a Palavra de Deus, de tal modo que a maioria de nós não pode nem mesmo perceber isso. E se introduziu tanto em nossas igrejas, em nossa evangelização e em nossa missiologia,que dificilmente podemos chamar de “cristão” o que estamos fazendo. Psicologia, antropologia e sociologia setornaram influências primarias nas igrejas.
Lembro que, há alguns anos, quando eu estava no seminário, um professor veio à frente da sala de aula e começou a desenhar pegadas no quadro negro. E, enquanto as desenhava ao longo do quadro negro, ele se voltou para todos nós e disse: “Aristóteles está andando pelos corredores desta instituição. Acautelem-se, pois ouço os seus passos mais claramente do que os passos do apóstolo Paulo,do grupo de homens que estavam com ele e até do próprio Senhor Jesus Cristo”.
Chegamos a crer que um homem de Deus pode lidar com áreas simples da vida da igreja. Mas, quando as coisas ficam realmente complicadas, precisamos recorrer aos peritos sociais. Isso é pura mentira! A passagem bíblica que abriu este capítulo afirma que as Escrituras foram dadas para “que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (v. 17).
O que Jerusalém tem a ver com Roma? E o que temos a ver com todas essas ciências sociais modernas que foram realmente criadas como um protesto contra a Palavra de Deus? E por que a evangelização, missões e o chamado“crescimento de igreja” são mais moldados pelo antropo-logista, pelo sociólogo e pelo estudante de Wall Street que conhecem bem cada tendência cultural? Toda a atividade de nossas igrejas tem de ser baseada na Palavra de Deus. Toda a atividade de missões tem de ser baseada na Palavra de Deus.
Nossa atividade missionária, nossas atividades na igreja e tudo que fazemos devem fluir do teólogo e do exegeta – o homem que abre a sua Bíblia e tem uma única pergunta: ó Deus, qual é a tua vontade? Não devemos enviarnossos questionários a pessoas carnais para descobrir quetipo de igreja elas freqüentariam. Uma igreja deve ser agra-dável aos interessados, mas a igreja tem de reconhecer queexiste um único interessado. Seu nome é Deus! E, se vocês querem ser agradáveis a alguém, se querem acomodar-se a alguém, acomodem-se a ele e à sua glória, ainda que sejam rejeitados pelos demais. Não somos chamados a construirimpérios. Não somos chamados a ser excessivos. Somoschamados a glorificar a Deus. E, se vocês querem que aigreja seja algo diferente de um povo peculiar (Tt 2.14; 1Pe 2.9), estão querendo algo que Deus não quer.
Gostaria de considerar Isaías 8, por um momento.Veja o que diz o profeta: “Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram?” (Is 8.19a). Isso é uma descrição perfeita dos gurus decrescimento de igreja, porque a cada dois ou três anos todas as suas principais teorias mudam – não somente a respeito do que o homem é e como consertá-lo, mas também a respeito do que a igreja é e como você pode fazê-la crescer. A cada dois ou três anos, há uma nova tendência que baixa o nível do que pode tornar sua igreja em algo extraordinário aos olhos do mundo. Recentemente, um dos mais famosos especialistas em crescimento de igreja disse que descobriu estar totalmente errado em todas as suas teorias. Mas, em vez levar as pessoas de volta às Escrituras, em quebranta-mento e lágrimas, ele saiu em busca de uma nova teoria.
Eles não trazem uma mensagem clara! Como disse Isaías: “acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?” (Is 8.19b-20). Devemos nós, como líderes de igreja, como pregadores, como pastores, como cristãos, devemos nós procurar e consultar os espiritualmente mortos em favor daqueles que o Espírito Santo vivificou? É claro que não!
Autor: Paul Washer
Livro: Dez acusações contra a igreja moderna
Ladrões pretendem assaltar igrejas e lares na semana santa
Calma! Deixe-me explicar! Por favor, não se apavore e nem chame a polícia.
Essa é uma frase que outro dia foi cunhada pelo querido pastor Paulo Solonca.
Pois é, nessa páscoa os fabricantes de ovos de páscoa e de coelhinhos, pretendem , mais uma vez, roubar a primazia que Jesus Cristo deveria ter em nossas vidas. Lamentavelmente pouquíssimas pessoas se lembrarão da morte e ressurreição de Cristo. Na verdade, não serão poucos os lares que celebrarão esta data festiva comendo chocolate.
Caro leitor, a páscoa não se resume a chocolate. A Páscoa é uma festa judaica, contudo, nós cristãos aproveitamos a data para celebrar a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição. Jesus é o nosso Cordeiro pascal (1 Co 5. 7). Ele nos propiciou a liberdade através de Seu sangue e da Sua vitória na cruz. Essa é uma comemoração a ser lembrada!
Chocolate, festa, feriado, tudo isso têm o seu tempo e o seu lugar, mas esse lugar não deve jamais tomar o lugar do verdadeiro propósito da nossa comemoração! Cristo venceu a morte! O sepulcro está vazio! Cristo ressuscitou! Portanto, celebre Seu nome! Celebre a sua liberdade!
Pense nisso!
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Essa é uma frase que outro dia foi cunhada pelo querido pastor Paulo Solonca.
Pois é, nessa páscoa os fabricantes de ovos de páscoa e de coelhinhos, pretendem , mais uma vez, roubar a primazia que Jesus Cristo deveria ter em nossas vidas. Lamentavelmente pouquíssimas pessoas se lembrarão da morte e ressurreição de Cristo. Na verdade, não serão poucos os lares que celebrarão esta data festiva comendo chocolate.
Caro leitor, a páscoa não se resume a chocolate. A Páscoa é uma festa judaica, contudo, nós cristãos aproveitamos a data para celebrar a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição. Jesus é o nosso Cordeiro pascal (1 Co 5. 7). Ele nos propiciou a liberdade através de Seu sangue e da Sua vitória na cruz. Essa é uma comemoração a ser lembrada!
Chocolate, festa, feriado, tudo isso têm o seu tempo e o seu lugar, mas esse lugar não deve jamais tomar o lugar do verdadeiro propósito da nossa comemoração! Cristo venceu a morte! O sepulcro está vazio! Cristo ressuscitou! Portanto, celebre Seu nome! Celebre a sua liberdade!
Pense nisso!
Autor: Renato Vargens
A teologia do tombo e a unção do cai-cai.
Uma das principais características dos cultos neopentecostais é a chamada “unção do cai-cai.” A cantora Ana Paula Valadão, pastora da Igreja Batista da Lagoinha, protagonizou umas das típicas cenas deste movimento onde mediante o sopro de um pastor ela caiu no Espirito.
Pois é, basta com que o pregador sopre ou atire o seu paletó contra o público, que um número incontável de pessoas caem no chão, quer desacordadas ou tomadas por aquilo que alguns denominam de unção do riso.
A unção do cai-cai iniciou-se com o americano Randy Clark, que foi ordenado pastor em 1950. Segundo alguns relatos, ele recebeu uma profecia que afirmava que através de sua vida e ministério pessoas seriam derrubadas no Espírito. Para o pastor Clark, a unção era como dinamite, e a fé como a cápsula que explode a dinamite. Clark é autor do movimento "Catch the fire" ( agarre o fogo) que possuía uma noção estranha do signifcado do poder divino.
Gostaria de ressaltar que na terra do Tio Sam, a unção do cai-cai virou uma febre. Pastores como Benny Hinn, Keneth Haigin também foram protagonistas na arte do tombo, disseminando sobre milhões de pessoas em toda a América um conceito eerrôneo e equivocado além é claro de anti-bíblico sobre o poder de Deus.
No Brasil, o movimento ganhou popularidade na década de 80 através do pastor Argentino Carlos Anacôndia. Anacôndia chegou ao Brasil, através das Comunidades Evangélicas, que mediante encontros e congressos esparramados em todo país, difundiram na igreja brasileira esta prática e comportamento doutrinário. Em 1990, a unção do cai-cai se espalhou de tal forma, que os crentes em Jesus passaram a acreditar que quando caíam no Espírito experimentavam cura para suas almas e a unção do tombo representava um olhar especial de Deus para com os seus filhos.
Em 1994 na Igreja Comunhão Divina do Aeroporto de Toronto, Canadá. Surge a bênção de Toronto, onde as pessoas movidas por uma “especial unção” cairam no chão, sem fala, rindo, chorando ou dando gargalhadas. Em pouco tempo, o templo estava lotado, vindo pessoas de todos os países e região. Em pouco tempo, as manifestações dos mais diferentes tipos de unções se fez presente no Canadá. Por exemplo, o pastor da Igreja de Vancouver, afirmou também que havia recebido uma profecia que o Espírito Santo se manifestaria imitando o som dos animais. Vale a pena ressaltar que o próprio pastor começou a urrar como leão, alegando que era o leão da tribo de Judá, uma das maneiras como Jesus é chamado na Bíblia.
Caro leitor, a luz disto tudo resta-nos perguntar: Existe fundamento bíblico para este tipo de unção? Em que lugar no Novo Testamento, vemos Jesus ou os apóstolos ensinando sobre a necessidade de cair no Espirito? Ou ainda, quais são os pressupostos teológicos que nos dão margem para acreditar na zooteologia, onde Deus se manifesta através de grunhidos animalescos?
Prezado amigo, vale a pena ressaltar que ao longo da história pessoas caíram prostradas diante de Deus. Jonathan Edwards nos traz relatos absolutamente impressionantes da manifestação do poder e da graça divina. John Wesley, em determinado momento da vida ao pregar o Evangelho da Salvação Eterna levou centenas de pessoas ao chão chorando e confessando os seus pecados. Agora, vamos combinar uma coisa? A quantidade de pessoas que dizem que foram derrubadas pelo Espírito de Deus e que continuam com o mesmo tipo de vida não está no Gibi. As pessoas que caem rugem como leões, latem como cães, comportam-se como animais e vivem uma vida cristã absolutamente aquém daquilo que Deus projetou.
Prezado irmão, quando o apóstolo João, ouviu a voz do Senhor na ilha de Patmos, prostrou-se conscientemente diante de Deus confessando o Senhorio de Cristo. Isaías, quando viu o Senhor no alto e sublime trono, curvou-se no chão dizendo, SANTO, SANTO, SANTO. Agora, o que não dá pra entender é esse cai-cai que não produz mudanças, arrependimentos e conversão de pecados.
Pois é, basta com que o pregador sopre ou atire o seu paletó contra o público, que um número incontável de pessoas caem no chão, quer desacordadas ou tomadas por aquilo que alguns denominam de unção do riso.
A unção do cai-cai iniciou-se com o americano Randy Clark, que foi ordenado pastor em 1950. Segundo alguns relatos, ele recebeu uma profecia que afirmava que através de sua vida e ministério pessoas seriam derrubadas no Espírito. Para o pastor Clark, a unção era como dinamite, e a fé como a cápsula que explode a dinamite. Clark é autor do movimento "Catch the fire" ( agarre o fogo) que possuía uma noção estranha do signifcado do poder divino.
Gostaria de ressaltar que na terra do Tio Sam, a unção do cai-cai virou uma febre. Pastores como Benny Hinn, Keneth Haigin também foram protagonistas na arte do tombo, disseminando sobre milhões de pessoas em toda a América um conceito eerrôneo e equivocado além é claro de anti-bíblico sobre o poder de Deus.
No Brasil, o movimento ganhou popularidade na década de 80 através do pastor Argentino Carlos Anacôndia. Anacôndia chegou ao Brasil, através das Comunidades Evangélicas, que mediante encontros e congressos esparramados em todo país, difundiram na igreja brasileira esta prática e comportamento doutrinário. Em 1990, a unção do cai-cai se espalhou de tal forma, que os crentes em Jesus passaram a acreditar que quando caíam no Espírito experimentavam cura para suas almas e a unção do tombo representava um olhar especial de Deus para com os seus filhos.
Em 1994 na Igreja Comunhão Divina do Aeroporto de Toronto, Canadá. Surge a bênção de Toronto, onde as pessoas movidas por uma “especial unção” cairam no chão, sem fala, rindo, chorando ou dando gargalhadas. Em pouco tempo, o templo estava lotado, vindo pessoas de todos os países e região. Em pouco tempo, as manifestações dos mais diferentes tipos de unções se fez presente no Canadá. Por exemplo, o pastor da Igreja de Vancouver, afirmou também que havia recebido uma profecia que o Espírito Santo se manifestaria imitando o som dos animais. Vale a pena ressaltar que o próprio pastor começou a urrar como leão, alegando que era o leão da tribo de Judá, uma das maneiras como Jesus é chamado na Bíblia.
Caro leitor, a luz disto tudo resta-nos perguntar: Existe fundamento bíblico para este tipo de unção? Em que lugar no Novo Testamento, vemos Jesus ou os apóstolos ensinando sobre a necessidade de cair no Espirito? Ou ainda, quais são os pressupostos teológicos que nos dão margem para acreditar na zooteologia, onde Deus se manifesta através de grunhidos animalescos?
Prezado amigo, vale a pena ressaltar que ao longo da história pessoas caíram prostradas diante de Deus. Jonathan Edwards nos traz relatos absolutamente impressionantes da manifestação do poder e da graça divina. John Wesley, em determinado momento da vida ao pregar o Evangelho da Salvação Eterna levou centenas de pessoas ao chão chorando e confessando os seus pecados. Agora, vamos combinar uma coisa? A quantidade de pessoas que dizem que foram derrubadas pelo Espírito de Deus e que continuam com o mesmo tipo de vida não está no Gibi. As pessoas que caem rugem como leões, latem como cães, comportam-se como animais e vivem uma vida cristã absolutamente aquém daquilo que Deus projetou.
Prezado irmão, quando o apóstolo João, ouviu a voz do Senhor na ilha de Patmos, prostrou-se conscientemente diante de Deus confessando o Senhorio de Cristo. Isaías, quando viu o Senhor no alto e sublime trono, curvou-se no chão dizendo, SANTO, SANTO, SANTO. Agora, o que não dá pra entender é esse cai-cai que não produz mudanças, arrependimentos e conversão de pecados.
Como já escrevi anteriormente creio veementemente que boa parte dos nossos problemas eclesiásticos se deve ao fato de termos abandonado a margem da existência as Escrituras. Não tenho a menor dúvida de que somente a Bíblia Sagrada é a suprema autoridade em matéria de vida e doutrina; só ela é o árbitro de todas as controvérsias, como também a norma para todas as decisões de fé e vida. É indispensável que entendamos que a autoridade da Escritura é superior à da Igreja, da tradição, bem como das experiências místicas adquiridas pelos crentes. Como discípulos de Jesus não nos é possível relativizarmos a Palavra Escrita de Deus, ela é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos.
O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro.
Em tempos difíceis como o nosso, precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento, até porque somente assim conseguiremos discernir o verdadeiro do falso.
Pense nisso!
O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro.
Em tempos difíceis como o nosso, precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento, até porque somente assim conseguiremos discernir o verdadeiro do falso.
Pense nisso!
Autor: Pastor Renato VargensSiga nossa pagina no Facebook: Reforma & Política
IGREJAS FRIAS
A expressão "igreja fria" não aparece na Bíblia. O mais próximo que se chega disso está em Apocalipse 3.15-16, quando Jesus diz que a igreja de Laodicéia era morna. Isso, porém, não significava que aquela igreja fosse pouco animada, mas sim que ela era como as águas semi-térmicas (nem frias nem quentes) que chegavam à cidade. Sendo mornas, aquelas águas não serviam nem para matar a sede, nem para fins terapêuticos. Assim, o que Jesus queria dizer ao afirmar que a igreja de Laodicéia (ou o "anjo" daquela igreja) era morna, era que ela não tinha serventia alguma — não refrescava os sedentos, nem curava os feridos. Como água morna só servia para provocar o vômito (v. 16).
Poucos crentes modernos entendem isso. Então, seguindo meras intuições interpretativas, acreditam que as alusões de Jesus à temperatura da igreja de Laodicéia tinha que ver com a forma de seus cultos. A partir daí, sem base alguma, consideram morna ou fria a igreja que se apresenta da seguinte maneira:
1. As pessoas se comportam normalmente em seus cultos, sem gritar, chorar, pular ou rolar no chão.
2. O culto se concentra na exposição da Palavra e os crentes acompanham atentos e silenciosos essa exposição.
3. Os cânticos são equilibrados, sem excesso de volume e sem danças ou coreografias muitas vezes carentes de sentido.
4. As orações são feitas por uma pessoa de cada vez, de forma que todos podem ouvir as palavras de quem ora e dizer conscientemente o amém no final.
5. As emoções dos adoradores ficam dentro da normalidade, livres de arroubos frenéticos e comportamentos bizarros.
6. O ambiente em geral favorece o aprendizado, a reflexão, a auto-análise, a confissão de pecados e a adoração consciente.
Curiosamente, pessoas que se apresentam como cristãs nutrem verdadeira repugnância por tudo isso e dizem que essas seis características são próprias da igreja sem vigor espiritual, sem vida e sem calor. Para elas, essas características devem ser removidas e substituídas por outras que, segundo entendem, marcam as "igrejas quentes". Essas características são as seguintes:
1. As pessoas se comportam de forma excêntrica, gritando, chorando, grunhindo, uivando, rastejando pelo chão, dando gargalhadas e imitando gente embriagada.
2. O culto não tem exposição da Palavra. Em vez disso, o "pregador" grita jargões, profecias e frases de vitória, esguelando e gesticulando loucamente para dar autoridade e peso às palavras vazias que pronuncia.
3. O cânticos ocupam a maior parte da reunião e desembocam em confusão, danças e gritos, com os instrumentos num volume ensurdecedor que anula o raciocínio e o bem-estar, tudo com o objetivo de tornar o culto mais "animado".
4. As orações são feitas com todos falando ao mesmo tempo. A balbúrdia chega ao seu apogeu quando a massa começa a pronunciar o que acredita ser "línguas estranhas", enquanto muitos sapateiam, gesticulam, contorcem o rosto e caem no chão.
5. As emoções são vistas como a medida da espiritualidade. Assim, quanto mais emoção o adorador demonstra, mais espiritual ele é considerado. Com isso em mente, as pessoas perdem qualquer noção de compostura e adotam comportamentos que nem mesmo num hospício é possível encontrar.
6. O ambiente é absolutamente desfavorável ao aprendizado, à reflexão, à avaliação de si e ao que Paulo chamou de "culto racional" (Rm 12.1).
De acordo com a mente evangélica dominante, esse segundo modelo é o aprovado pelo Espírito Santo, enquanto o primeiro é pervertido, improdutivo e desagradável a Deus.
A esse grau de inversão chegou a "mentalidade cristã" de nosso dias — uma mentalidade sem discernimento, incapaz de aprovar as coisas excelentes (Fp 1.10), que chama o mal de bem e o bem de mal (Is 5.20) e que, pra piorar, se gaba disso tudo, considerando-se a nata da espiritualidade cristã (Ap 3.17).
Que Deus livre os seus servos fieis de todos esses desvios e desatinos e os mantenha lá no alto, sobre os belos picos nevados da verdadeira espiritualidade, bem longe das florestas barulhentas onde pulam os índios pagãos e seus feiticeiros, lá embaixo.
Autor: Marcos Granconato
DEUS ESCOLHEU ALGUNS POR QUE PREVIU A FÉ NELES? DOCE ILUSÃO!
A teologia arminiana afirma que Deus escolheu os que seriam salvos com base em sua presciência. Segundo essa concepção, Deus olhou para o futuro e viu os homens que creriam, elegendo-os então. Isso levanta a seguinte pergunta: Quem fixou o futuro para o qual Deus olhou? Se foi ele mesmo (e ao crente não resta outra opção), por que teve que consultá-lo? E mais: Se foi o próprio Deus quem estabeleceu o futuro no qual poderia ver de antemão quem creria, isso não equivale a dizer que ele próprio estabeleceu quem creria? Ora, é exatamente isso o que os calvinistas afirmam. Então, por que não concordar com eles de uma vez? Dentro ainda dessa discussão, deve-se considerar que a Bíblia diz que a fé é dom de Deus (Ef 2.8 [o "isto" mencionado nesse versículo se refere ao processo todo que abrange a fé]; Fl 1.29; Hb 12.2). Se é, pois, o Senhor quem concede a fé, por que ele teria que “descobrir” quem creria e, então, escolhê-los?
A posição arminiana, contudo, nesse aspecto, não enfrenta dificuldades apenas por causa da falta de lógica em seus argumentos. A idéia de que Deus elege com base no que antevê também encontra problemas teológicos insolúveis. Por exemplo: se Deus escolhe o homem baseando-se em algum bem visto nele previamente, então a graça de Deus desaparece para dar lugar a uma forma disfarçada de retribuição. Com efeito, se a visão arminiana estivesse correta, a eleição divina deixaria de ser gratuita e incondicional, tornando-se a recompensa dada por Deus àqueles em quem anteviu algo que o agradou, a saber, a fé resultante do uso adequado da graça preveniente. No arminianismo, portanto, a gratuidade da eleição é demolida e, em seu lugar, é edificada uma escolha divina meritória. No fim das contas, o homem é salvo porque Deus o considera digno disso, ao descobrir previamente que ele, de si mesmo e por si mesmo, fará bom uso da graça capacitadora dada a todos.
Ora, o Novo Testamento não dá margem alguma para essa hipótese. De fato, Paulo ensina que a graça de Deus não procura homens dignos, mas sim cria homens dignos (Cl 1.12). A triste realidade é que se Deus procurasse homens dignos para então escolhê-los, ninguém seria salvo. Aliás, a beleza, infinitude e magnificência da graça de Deus é percebida precisamente no fato dele ter escolhido homens que mereciam somente a sua ira (Ef 2.3), pessoas em quem o Senhor não viu virtude alguma, mas sim pecado, maldade, rebelião e ódio contra ele (Rm 5.6-10).
Contrariando o ensino arminiano, o Novo Testamento também realça que a eleição não é a recompensa da fé, mas sim a sua causa (2Ts 2.13), de modo que o indivíduo não é eleito porque vai crer, mas sim vai crer porque é eleito. Realmente, o texto sagrado sempre coloca a eleição como a razão da fé e não o contrário. A escolha de Deus não depende, assim, da fé prevista. É a fé que depende da escolha prévia. É por isso que em Atos 13.48, Lucas afirma que entre os gentios que ouviam a pregação de Paulo em Antioquia da Pisídia, “creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna”. Na dinâmica da frase de Lucas, a eleição é a causa, não o efeito da fé.
Como então lidar com Romanos 8.29 e 1 Pedro 1.2? Uma análise simples mostrará que esses textos, na verdade, não amparam em nada a concepção arminiana. Considere-se, a princípio, a frase, “aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou” encontrada em Romanos 8.29. Será que essa frase corrobora mesmo a tese de que Deus primeiro anteviu quais pessoas creriam e então as predestinou para a salvação? De modo nenhum! Para descobrir o verdadeiro significado da expressão “conheceu de antemão” basta observar a sua única outra ocorrência nos escritos de Paulo.
Essa expressão é, na verdade, a tradução do verbo grego proginósko e é usada outra vez pelo apóstolo somente em Romanos 11.2, onde escreve sobre Israel: “Deus não rejeitou o seu povo, o qual de antemão conheceu”. Ora, é evidente que aqui, conhecer de antemão não significa prever a fé, uma vez que Israel nunca creu na mensagem de Deus (At 7.51-53). Resta, pois, somente um sentido possível para a fórmula sob análise, a saber: Deus conheceu de antemão a quem mostraria seu favor. Esse é, portanto o modo como Romanos 8.29 deve ser entendido. Não se trata de Deus saber previamente quem creria, mas sim de Deus saber previamente a quem favoreceria. Esse entendimento, aliás, se harmoniza plenamente com outras passagens do Novo Testamento onde ser conhecido por Deus significa ser alvo do seu favor (1Co 8.3; Gl 4.9; 2Tm 2.19). Aliás, Em 1Pedro 1.20, existe a evidência de que o verbo proginósko também pode significar “fazer algo a fim de assegurar que um evento realmente ocorra”. Esse sentido também corrobora a tese defendida aqui (Veja-se ARICHEA, D. C.; NIDA, E. A. A handbook on the first letter from Peter. UBS handbook series. Helps for translators (42). New York: United Bible Societies, 1994.).
É assim também que o texto de Pedro deve ser interpretado na parte que diz: “escolhidos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai”. Note-se que nesse versículo, Pedro usa a preposição grega katá, traduzida como “de acordo com”, indicando que a escolha de Deus foi feita conforme ele sabia previamente que iria fazer. É, portanto, como se Pedro dissesse: “Vocês foram escolhidos conforme Deus Pai havia previsto que vocês seriam”. Ora, isso indica que Deus não escolheu os crentes porque anteviu a fé neles, mas sim porque sabia previamente a quem mostraria favor.
Na verdade, se Pedro quisesse indicar que Deus escolheu porque anteviu a fé, como ensinam os arminianos, ele certamente usaria a preposição diá, extremamente comum na língua grega e cujo significado, quando usada com o modo acusativo (como é o caso em 1Pe 1.2) é “por causa de”. A tradução, então, ficaria assim: “Vocês foram escolhidos por causa do pré-conhecimento de Deus Pai”. Isso sim indicaria que Deus previu a fé e, por causa disso, teria escolhido alguns. Porém, não é esse o caso aqui, de modo que a Bíblia permanece silente no tocante a qualquer suposta eleição divina alicerçada numa fé prevista.
Autor: Pr. Marcos Granconato
Via Facebook
Como assim, "não toqueis no ungido do Senhor..."?!
Há várias passagens na Bíblia onde aparecem expressões iguais ou semelhantes a estas do título desta postagem:
A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor deles, repreendeu a reis, dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas (1Cr 16:21-22; cf. Sl 105:15). Todavia, a passagem mais conhecida é aquela em que Davi, sendo pressionado pelos seus homens para aproveitar a oportunidade de matar Saul na caverna, respondeu: "O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele [Saul], pois é o ungido do Senhor" (1Sm 24:6).
Noutra ocasião, Davi impediu com o mesmo argumento que Abisai, seu homem de confiança, matasse Saul, que dormia tranquilamente ao relento: "Não o mates, pois quem haverá que estenda a mão contra o ungido do Senhor e fique inocente?" (1Sm 26:9). Davi de tal forma respeitava Saul, como ungido do Senhor, que não perdoou o homem que o matou: “Como não temeste estender a mão para matares o ungido do Senhor?” (2Sm 1:14).
Esta relutância de Davi em matar Saul por ser ele o ungido do Senhor tem sido interpretado por muitos evangélicos como um princípio bíblico referente aos pastores e líderes a ser observado em nossos dias, nas igrejas cristãs. Para eles, uma vez que os pastores, bispos e apóstolos são os ungidos do Senhor, não se pode levantar a mão contra eles, isto é, não se pode acusa-los, contraditá-los, questioná-los, criticá-los e muito menos mover-se qualquer ação contrária a eles. A unção do Senhor funcionaria como uma espécie de proteção e imunidade dada por Deus aos seus ungidos. Ir contra eles seria ir contra o próprio Deus.
Mas, será que é isto mesmo que a Bíblia ensina?
A expressão “ungido do Senhor” usada na Bíblia em referência aos reis de Israel se deve ao fato de que os mesmos eram oficialmente escolhidos e designados por Deus para ocupar o cargo mediante a unção feita por um juiz ou profeta. Na ocasião, era derramado óleo sobre sua cabeça para separá-lo para o cargo. Foi o que Samuel fez com Saul (1Sam 10:1) e depois com Davi (1Sam 16:13).
A razão pela qual Davi não queria matar Saul era porque reconhecia que ele, mesmo de forma indigna, ocupava um cargo designado por Deus. Davi não queria ser culpado de matar aquele que havia recebido a unção real.
Mas, o que não se pode ignorar é que este respeito pela vida do rei não impediu Davi de confrontar Saul e acusá-lo de injustiça e perversidade em persegui-lo sem causa (1Sam 24:15). Davi não iria matá-lo, mas invocou a Deus como juiz contra Saul, diante de todo o exército de Israel, e pediu abertamente a Deus que castigasse Saul, vingando a ele, Davi (1Sam 24:12). Davi também dizia a seus aliados que a hora de Saul estava por chegar, quando o próprio Deus haveria de matá-lo por seus pecados (1Sam 26:9-10).
O Salmo 18 é atribuído a Davi, que o teria composto “no dia em que o Senhor o livrou de todos os seus inimigos e das mãos de Saul”. Não podemos ter plena certeza da veracidade deste cabeçalho, mas existe a grande possibilidade de que reflita o exato momento histórico em que foi composto. Sendo assim, o que vemos é Davi compondo um salmo de gratidão a Deus por tê-lo livrado do “homem violento” (Sl 18:48), por ter tomado vingança dos que o perseguiam (Sl 18:47).
Em resumo, Davi não queria ser aquele que haveria de matar o ímpio rei Saul pelo fato do mesmo ter sido ungido com óleo pelo profeta Samuel para ser rei de Israel. Isto, todavia, não impediu Davi de enfrentá-lo, confrontá-lo, invocar o juízo e a vingança de Deus contra ele, e entregá-lo nas mãos do Senhor para que ao seu tempo o castigasse devidamente por seus pecados.
O que não entendo é como, então, alguém pode tomar a história de Davi se recusando a matar Saul, por ser o ungido do Senhor, como base para este estranho conceito de que não se pode questionar, confrontar, contraditar, discordar e mesmo enfrentar com firmeza pessoas que ocupam posição de autoridade nas igrejas quando os mesmos se tornam repreensíveis na doutrina e na prática.
Não há dúvida que nossos líderes espirituais merecem todo nosso respeito e confiança, e que devemos acatar a autoridade deles – enquanto, é claro, eles estiverem submissos à Palavra de Deus, pregando a verdade e andando de maneira digna, honesta e verdadeira. Quando se tornam repreensíveis, devem ser corrigidos e admoestados. Paulo orienta Timóteo da seguinte maneira, no caso de presbíteros (bispos/pastores) que errarem:
"Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas. Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam" (1Tim 5:19-20).
Os “que vivem no pecado”, pelo contexto, é uma referência aos presbíteros mencionados no versículo anterior. Os mesmos devem ser repreendidos publicamente.
Mas, o que impressiona mesmo é a seguinte constatação. Nunca os apóstolos de Jesus Cristo apelaram para a “imunidade da unção” quando foram acusados, perseguidos e vilipendiados pelos próprios crentes. O melhor exemplo é o do próprio apóstolo Paulo, ungido por Deus para ser apóstolo dos gentios. Quantos sofrimentos ele não passou às mãos dos crentes da igreja de Corinto, seus próprios filhos na fé! Reproduzo apenas uma passagem de sua primeira carta a eles, onde ele revela toda a ironia, veneno, maldade e sarcasmo com que os coríntios o tratavam:
"Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco.Por que é que eu não encontro nesta queixa de Paulo a repreensão, “como vocês ousam se levantar contra o ungido do Senhor?” Homens de Deus, os verdadeiros ungidos por Ele para o trabalho pastoral, não respondem às discordâncias, críticas e questionamentos calando a boca das ovelhas com “não me toque que sou ungido do Senhor,” mas com trabalho, argumentos, verdade e sinceridade.
Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens.
Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis.
Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.
Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar; pelo contrário, para vos admoestar como a filhos meus amados. Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus. Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores" (1Cor 4:8-17).
“Não toque no ungido do Senhor” é apelação de quem não tem nem argumento e nem exemplo para dar como resposta.
Texto retirado do blog O Tempora, O Mores!Autor: Augustus Nicodemus
DEUS É O EVANGELHO
Ou, talvez, você queira ser curado de uma enfermidade
_
dois _
DEUS É O EVANGELHO ou conseguir um emprego e encontrar uma esposa. Então,
você ouve que Deus pode ajudá-lo a obter estas coisas, mas
que, primeiramente, seus pecados teriam de ser perdoados.
Alguém o exorta a crer que Cristo morreu por seus pecados
e lhe diz que, se você crer nisto, seus pecados serão
perdoados. Conseqüentemente, você crê, a fim de que seja
removido o obstáculo à sua saúde e consiga um emprego
ou uma esposa. Isto é salvação pelo evangelho? Não creio
que seja.
Em outras palavras, o que você espera receber por meio
do perdão é importante. O motivo por que você deseja o
perdão é importante. Se quer o perdão tão-somente por
que deseja gozar da criação, então, o Criador não é honrado
e você não é salvo. O perdão é precioso por uma única
razão: ele o capacita a desfrutar da comunhão com Deus.
Se esta não é razão por que você quer o perdão, você não o
terá de maneira alguma. Deus não será usado como moeda
para a compra de ídolos.
Também perguntamos: por que desejamos ter a vida
eterna? Alguém pode responder: “Porque o inferno é a alternativa
dolorosa”. Outro pode dizer: “Porque não haverá
nenhuma tristeza no céu”. Outro pode replicar: “Meus queridos
foram para o céu, e quero estar com eles”. Outros
poderiam sonhar com sexo e alimentos intermináveis, ou
com algo mais nobre. Em tudo isso, Alguém está ausente:
Deus.
O motivo salvífico para querermos a vida eterna é
apresentado em João 17.3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a
quem enviaste”. Se queremos a vida eterna por ela significar
outra coisa, e não o regozijo em Deus, não teremos essa
vida. Enganamos a nós mesmos dizendo que somos cristãos,
se usamos o glorioso evangelho de Cristo para buscar o
que amamos mais do que buscamos o próprio Cristo. As
“boas-novas” não se comprovarão como boas para
qualquer pessoa que não tenha a Deus como seu principal
bem.
Jonathan Edwards apresentou esta verdade em um
sermão à sua igreja, em 1731. Leia estas palavras lentamente
e permita que elas o despertem para a verdadeira vida e o
verdadeiro bem do perdão.
Os redimidos têm todo o seu verdadeiro bem em Deus. Ele mesmo é o grande bem que possuem e desfrutam por meio da redenção. Deus é o bem mais sublime, a suma de todo o bem que Cristo adquiriu. Deus é a herança dos santos; é o quinhão da alma deles. Ele é a riqueza e o tesouro, o alimento, a vida, a habitação, o ornamento e a coroa, a glória eterna e duradoura dos santos. Eles não têm nada no céu, exceto a Deus. Ele é o grande bem no qual os crentes são recebidos na morte e para o qual eles devem ressurgir no fim do mundo. O Senhor Deus, Ele é a luz da Jerusalém celestial; é o “rio da água da vida” que corre e a “árvore da vida” que cresce “no paraíso de Deus”. As gloriosas excelências e belezas de Deus fascinarão para sempre a mente dos santos, e o amor de Deus será o deleite eterno deles. Com certeza, os redimidos desfrutarão outras alegrias. Eles se alegrarão com os anjos e uns com os outros. Mas aquilo que lhes encantará nos anjos e uns nos outros, ou em qualquer outra coisa; aquilo que lhes proporcionará deleite e felicidade será o que de Deus poderá ser visto neles.
Texto retirado do Livro: Penetrado pela Palavra
Autor: John Piper


















