Em primeiro lugar, veremos se essas justificativas bíblicas são válidas. Vejamos o que a Bíblia diz sobre Davi, quando a Arca chegou a Jerusalém:
"Ao entrar a Arca da Aliança do Senhor na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela e, vendo ao rei Davi dançando e folgando, o desprezou em seu coração." - 1 Crônicas 15:29
Era um momento especial. A Arca finalmente iria para a capital do reino, num lugar preparado por Davi. Se lermos os versículos anteriores veremos que Davi preparou todo um evento, um dia de festas para a volta da Arca. O objetivo daquela reunião (estavam presentes todos os israelitas) era louvar a Deus pela volta da Arca. Não vemos em outros techos da longa vida de Davi uma manifestação de alegria tamanha. Isso leva a pensar que isso foi um momento único, especial e isolado. E, apesar do que muitos dizem, Davi continuou sendo um servo leal e sincero de Deus durante TODA a sua vida, não só naquele momento. Não lemos em nenhuma parte que Deus passou a amar mais Davi por causa disso, ou que Davi passou a se aproximar mais de Deus. Pelo contrário, em 1 Crônicas 21 lemos que "Satanás se levantou contra Israel" e incitou Davi a fazer o censo. Não quero dizer que haja uma relação entre a emoção e os atos de Satanás, mas sim que elas não acrescentaram nada ao relacionamento entre Davi e Deus.
Agora, sobre os apóstolos. Em Atos 2 lemos que o Espírito se derramou entre eles e assim eles puderam falar em várias línguas. Mas, se lermos o versículo 8 veremos que eles falavam nas "línguas maternas" dos ouvintes. Eram idiomas e dialetos: mesopotâmico, árabe, egípcio, latim, persa, grego... Depois, Pedro afirma que ali se cumpria o que foi dito por Joel: "(...) vossos filhos e filhas profetizarão, vossos jovens terão visões e sonharão vossos velhos.;". Não há nenhuma menção à desordem, ou confusão, pelo contrário, aqui estão escritos dons que proclamam a glória vindoura de Deus, que impressionam as pessoas. Ou seja, os apóstolos falaram "em línguas" num momento adequado e propício, onde esse dom poderia ser útil para o Reino de Deus: quando havia muitos estrangeiros de países diferentes ouvindo.
Por fim, leremos um trecho bíblico que, por si só, mostra quão prejudiciais (ou no mínimo superficiais) são as reuniões realizadas sob o manto do emocionalismo. É 1 Coríntios 14. Começarei com o versículo 33:
"Porque Deus não é de confusão, e sim de paz.(...)"
Agora o vs 26:
"Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação."
Ainda no vs 23 Paulo diz que, se todos começarem a falar em línguas estranhas, um incrédulo pensaria que somos loucos. Também no início do capítulo ele fala sobre a importância desse dom, mas que se não houver nenhum intérprete, ele não edifica a igreja nem quem o pronuncia, pois a pessoa não compreenderá o que diz.
Lendo todo o capítulo passamos a entender que Deus não quer que seu povo seja sisudo, com expressões infelizes, mas também ele não quer um povo que se reúne em desordem e egoísmo, pois, a manifestação desordenada dos dons pode, no máximo, edificar ao próprio cristão ou à igreja, mas nunca ajudará em nada aos incrédulos ou aos que visitam a igreja pela primeira vez. Pelo contrário, eles provavelmente se espantarão. E a missão que Deus nos deixou foi esta: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura." - Marcos 16:15. Os dons que Ele nos deu são ferramentas para facilitar o cumprimento dessa missão, e não para dificulta-la. São meios de edificar a igreja, não de desuni-la ou causando confusão, confusão esta que resulta em mal testemunho do nome de Deus.
Por fim, concluímos, depois de examinar a Palavra, que os dons de Deus devem ser usados para edificação de todos. Também vimos que a organização dos cultos é de Deus, e vital para a igreja. Agora só falta tentar explicar POR QUÊ o emocionalismo é tão presente nos cultos, mesmo com uma passagem clara, da Bíblia (1 Coríntios 14)?
A emoção e os sentimentos não são ruins, por si só. Eles são características humanas dadas por Deus, quando Ele nos criou, para que assim pudéssemos expressar melhor o amor, a alegria e também as tristezas. Muitas vezes eles são um meio de escape da mente. Mas as emoções e sentimentos continuam sendo, acima de tudo, humanos. E como tudo que vem de nós, está sujeito a falhas e enganos. Uma simples música pode alterar nossas emoções, um filme.... e olha que são apenas ficção. Então, penso eu, como um cristão sério, comprometido com seu crescimento e que já ouviu inúmeras vezes a passagem de Mateus 7:25 (da casa edificada sobre a rocha) pode basear a sua fé e o seu relacionamento com Deus em algo tão frágil e que muda tão rápido, como as emoções? Isso é no mínimo uma temeridade. Muitos pensam que presença do Espírito Santo é um estado emocional incomum. Deus disse que sempre estaria conosco, mas Ele NUNCA disse que sempre SE FARIA SENTIR. Ele é soberano e dessa forma Ele sabe a melhor hora de se manifestar. E conforme avançamos na vida com Ele, menos ainda Ele "aparecerá" através de emoções, mas cada vez mais na nossa fé nEle, que crescerá e frutificará, ficará latente como algo que podemos tocar! É na fé, que só vem da Palavra de Deus, que Ele sabe o nosso grau de maturidade espiritual. É na fé que sabemos o quão íntimos de Deus nós somos. Devemos parar de procurar EXPERIÊNCIAS com Deus e buscar um relacionamento. Experiências são passageiras e egoístas. Relacionamentos são duradouros e frutificam na vida de todos!
"Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo. E se alguém o ignorar, será ignorado. (...)Tudo, porém, seja feito com decência e ordem." - 1 Coríntios 14:37-38 e 40.
Texto retirado do blog Crucificado com Cristo
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